1 de Julho de 2009

Obama, Honduras, Irão e os inimigos da liberdade

Depois de muito instado, (sabe-se até que Hillary Clinton manifestou descontentamento pelo silêncio), Obama parece ter percebido que teria de dizer qualquer coisa sobre a farsa das eleições no Irão, e veio finalmente a público manifestar compreensão pelos manifestantes que buscam “justiça”.
Liberdade, pediram os manifestantes.
Justiça, ouviu Obama, e esta deficiência auditiva é um autêntico tratado sobre a ideologia que delineia a cosmovisão do Escolhido.
Mas, prestado tributo às conveniências, não perdeu tempo a mandar os seus assessores dizer aos media que o que se passa no Irão não terá influência nas suas políticas.
Como Susan Rice disse, “A legitimidade das eleições depende dos olhos de quem as vê. Mas isso não é factor que influencie a nossa relação com o Irão”.
Fica portanto claro que o facto de o regime ser ou não legítimo, importa um corno ao Escolhido, que não se desviará um milímetro da sua missão sagrada de apaziguar os mullahs, por muito que os factos o interpelem. As ideologias são assim…não há factos que as ponham em causa. Nem sequer o facto de o "Supremo Líder" ter vindo a público novamente com a habitual cornucópia de hate speech contra o Grande Satã e os infiéis.
Há 30 anos, Dhimmi Carter sabujou-se aos mullahs , colocando-se ao lado deles contra um aliado, prejudicando os interesses americanos e produzindo o pesadelo que ainda hoje ensombra a região.
Obama segue-lhe as pisadas. O curioso é que o faz em nome do “realismo”. E é esse pretenso “realismo” que o leva a ignorar a realidade e a recusar que ela seja levada em conta nas opções. E o Escolhido está tão convencido que apaziguar Amadinejad e Khamenei é a escolha certa, que jamais deixará a realidade meter-se de permeio.
Um claro sintoma de dissonância cognitiva, fenómeno psicológico que levou à derrota de Napoleão em Waterloo, ao recusar a informação de que vinham aí os prussianos, porque ela mexia com o seu plano.
O que está já a tornar-se evidente é que a necessidade de apaziguar os inimigos declarados da América, parece ser mais importante que manter os aliados e far-se-á mesmo à custa destes. Exactamente o que aconteceu com Dhimmi Carter, com os resultados que se conhecem. Aconteceu com Israel e está a acontecer com as Honduras.
O que se passou nas Honduras foi, no fim de contas, a deposição constitucional de um Presidente que estava a agir declaradamente contra a Constituição do país, aconselhado pelo Richelieu comunista que assessorou Chavez, Evo, Ortega e Correa. Passou-se ali o que se passaria em Portugal ou noutro qualquer Estado de Direito, caso o Presidente se estivesse nas tintas para a Constituição, para os Tribunais e para o Parlamento.
O que fez, sem demora, o Escolhido?
Colocou-se ao lado de mais um títere de Chavez, contra as forças democráticas que se levantaram contra ele. E desta vez não tergiversou, nem precisou de ser instado, como no caso do Irão.
A democracia deixou de interessar a esta Administração “Carter 2”. Na verdade a palavra “democracia” já há meses que não faz parte do léxico americano no que toca às relações com a América Latina. Em vez de “democracia” e “liberdade”, Obama derrama-se em conversa poética sobre “justiça social”.
Toda uma ideologia contrária à liberdade, como escreveu Isaiah Berlin em Freedom and its Betrayal: Six Enemies of Human Liberty.
O resultado?
A Coreia do Norte está cada vez mais desafiante, o Irão redobra a retórica agressiva e acelera a corrida ao nuclear, o genocídio no Sudão continua no caminho do sucesso, e até Chavez já faz ameaças de invasão militar.
tá a tornar-se cada vez mais claro que o que faz andar Obama é a ideologia do “Blame America First”, o que não é de estranhar, dado o ambiente ideológico que o alimentou durante anos. Só assim pode acreditar que é do interesse americano apaziguar os ditadores de esquerda radical que estão a afundar a América Latina.
Dhimmi Carter também agiu assim e no princípio estava muito bem visto. Mas não há ideologia que consiga, por muito tempo, enganar muita gente, e é por isso que Dhimmi Carter é considerado o pior presidente da História americana e deu no tonto senil que agora passeia pelo mundo a imagem do seu próprio ridículo.
Mas está, pela primeira vez, a enfrentar dura concorrência.

25 de Junho de 2009

Mulheres e Islão

O símbolo de Tianamen foi a foto de um indivíduo solitário de braços abertos frente a um carro de combate.
O símbolo do que se passou no Irão foi a morte em directo de Neda Soltan. Uma mulher.
E o que se passou no Irão tem tudo a ver com as mulheres. Consta até que na origem da revolta esteve a mulher do candidato derrotado, Zahra, professora de História, autora de vários livros e antiga dirigente da Universidade de Teerão, despedida aliás por Amadinejad.
As imagens disponíveis mostram também uma espantosa quantidade de mulheres nas manifestações.
O que se compreende, porque o Islão é essencialmente mau para as mulheres. No Irão elas são detidas por “crimes” como usar baton ou mostrar o cabelo. Ao terceiro “crime” cumprem pena de prisão e ao 4º são vergastadas em público.
No Islão a mulher ideal é aquela que não é vista. A sociedade ideal é aquela onde as mulheres são invisíveis e inexistentes na vida e no espaço público. Em última análise, a opressão das mulheres é o verdadeiro símbolo do Islão e os delirantes códigos de vestuário são uma das mais visíveis expressões dessa opressão.
É também por isso que os acontecimentos no Irão são importantes. Zahra, que por vezes é vista em público de mãos dadas com o marido, comportamento perigosamente nos limites da legalidade islâmica, disse em 2006 que Amadinejad odiava as mulheres. Foi despedida logo a seguir e enganou-se num ponto importante: Amadinejad não é apenas um indivíduo misógino. É um bom muçulmano e a personificação da misogenia do Islão.
Na verdade a luta do Islão contra o resto do mundo, expresso na jihad, funda-se numa secular e profunda desconfiança nas mulheres, vistas sempre como encarnações do demónio e que têm de ser controladas, escondidas e reprimidas.
No Afeganistão a luta do Islão contra as mulheres atingiu o zénite. Mulheres impedidas de estudar e de trabalhar, presas por saírem à rua sem acompanhante masculino, vergastadas por não usarem bem a burga, fuziladas e lapidadas em estádios de futebol, por dançarem, cantarem ou usarem saltos altos sob a burga.
Garante a esquerda multiculturalista que é uma cultura diferente, nem melhor nem pior, e que nós não devemos fazer juízos de valor, já que não há culturas melhores que outras. Uma bela treta, se me permitem, marca inconfundível da hipocrisia fundamental da esquerda, sempre pronta a desculpar as piores aberrações de certas culturas, com a mesma intensidade com que se esganiça contra as pequenas imperfeições de outras.
á tempos uma juíza alemã recusou o divórcio a uma mulher marroquina que era agredida pelo marido, também ele um bom muçulmano, alegando que a agressão da mulher pelo marido é uma prática cultural islâmica e que por isso a vítima já sabia o que esperar.
Ou seja, na prática esta inacreditável juíza, produto da mentalidade esquerdista que domina os campus das universidades das chamadas “ciências humanas”, não hesita em regular que os direitos humanos não são universais, como pensávamos, e, pelo contrário, devem ceder aos valores das culturas, pelo que os indivíduos, queiram ou não, são prisioneiros da cultura onde nasceram.
O actual Presidente americano, vai também por aí. Ao advogar o não envolvimento, ao não querer interferir, ao alegar que se trata de “assuntos internos iranianos” e de “questões de soberania iraniana”, na pratica age como o polícia que observa um marido a bater na mulher, encolhe os ombros e recita a velha máxima de que “entre marido e mulher não se mete a colher.”
Discordo. Nestas coisas não há neutralidade. Os direitos humanos são universais e os seus detentores são os indivíduos, incluindo as mulheres. Não são concessões dos estados, nem cedem face às culturas ou religiões. A neutralidade face à agressão de uma ditadura é cumplicidade e apenas dá força ao agressor. É como ir na rua, observar um meliante a roubar uma velhota e filosofar que é melhor não interferir, apesar de a vítima gritar por ajuda.
Não, o herói não foi Obama, como os adoradores do Escolhido insistem em asneirar. As heroínas foram Zahra e Neda.
Elas e o que fizeram, dão a dimensão do pesadelo em que o Islão transformou a vida das mulheres.
A vida de Neda é o exemplo perfeito daquilo que devia mobilizar a chamada “esquerda”, que se acredita “progressista”, mas é profundamente reaccionária e hipócrita.
As fotos dela enquanto mulher livre, reduzida à servidão islâmica e finamente morta ao lutar pela liberdade, dizem-nos que por vezes vale mais morrer de pé do que viver de gatas.
Não é nada connosco, garante Obama, fazendo vénias ao “supremo líder” e agachando-se perante a “República Islâmica do Irão”, como faz questão de lhe chamar.
Está enganado e esta é a "change we don’t need".

23 de Junho de 2009

Rui Tavares e o Escolhido

Rui Tavares, a quem tive a ocasião de assestar algumas lamparinas virtuais, quando ele pregava ali para o 5dias, e que agora se prepara para fazer vida de burguês rico em Bruxelas, à conta dos impostos dos outros, veio a Público (escreveu um artigo no Público) explicar que o que se está a passar no Irão é uma consequência do advento de Obama.

Rui Tavares tem razão, obviamente (não convém contrariar os doidos), na medida em que sendo um “historiador comprometido com o futuro” e disposto a reconstituir o passado à medida do seu idealismo adolescente, as relações e correlações são de geometria variável e dispostas de forma adequada às grandes verdades da fé.

99% dos alcóolicos beberam leite enquanto crianças? Se der jeito a Rui Tavares, isso prova que o leite provoca o alcoolismo.
Ainda não houve nenhum furacão esta época? Para Rui Tavares isso pode dever-se-porque não?- ao efeito Obama.
No caso do Irão, o facto de o Escolhido ter demorado oito dias a expressar algum desconforto para com aquilo que se está a passar, e mesmo assim referindo-se de forma respeitosa ao “supremo líder”, tem como resultado, explica o genial Rui Tavares, exactamente a revolta dos súbditos do aiatola.

Ou seja, Obama legitima o ditador e dá-lhe palmadinhas nas costas porque, explica o Rui Taveres, já sabe, na sua infinita sabedoria, que o povo iraniano só está à espera disso para se revoltar.Uma espécie de táctica à Judas.

Notavelmente maquiavélico. Segundo a lógica "Rui Tavares", a única maneira de fazer os iranianos revoltarem-se contra o regime, é Obama fazer amor com o regime.

A fézada do Rui Tavares é imbatível e são desde já previsíveis grandes aplicações do método. Por exemplo, se Obama quiser fazer com que os jihadistas se revoltem contra Bin Laden, tem apenas que o convidar para tomar chá na Casa Branca.

Há tempos Obama fez uma grande vénia ao Rei Saudita, e houve gente estúpida que viu no gesto a reverencial atitude de um serviçal face ao seu senhor. À luz da "lógica Rui Tavares", não é nada disso....trata-se apenas de uma forma altamente sofisticada de levar os sauditas a revoltarem-se contra o regime wahabita. Ainda não deu resultado, mas lá chegaremos.

O Escolhido e os seus adoradores trazem-nos a boa nova. A partir de agora tudo o que acontecer no mundo e que seja do agrado geral, pode ser tranquilamente atribuido aos poderes mágicos do Escolhido.

O que não correr bem, como por exemplo a beligerância da Coreia do Norte, não se deve ao Obama, claro, está, mas aos “neoliberais” ou “neoconservadores”, ou uns e outros conforme der mais jeito.

No fundo, o Escolhido tem um efeito que nem sequer depende de agir. A sua mera eleição é um acto mágico que cataliza a mudança. Cristo andava sobre as águas, mas Obama faz muito mais.

E Rui Tavares, como bom esquerdista, bem precisa destes sucedâneos da religião.

18 de Junho de 2009

Airbus

Em 2005, foram despedidos alguns trabalhadores muçulmanos da fábrica da Airbus en Toulouse.
Lembro-me que na altura se falou da real possibilidade e facilidade em sabotar estruturalmente um avião, fazendo com que daí a uns anos, sem se saber bem porquê, em situações de maior esforço, se poder dar um acidente catastrófico, começando numa pequena falha propositadamente induzida e depois amplificada por sucessivos feedbacks positivos.

Enfim, mais uma pista a seguir.

Teatro

"No meu tempo", como se costuma dizer, havia muitos teatros de fantoches, ou "robertos", como também se lhe chamava.
Basicamente eram uns biombos com aberturas engalanadas, atrás das quais uma ou mais pessoas enfiavam os braços nuns bonecos, faziam vozes ridículas e contavam histórias nas quais os bonecos eram as personagens.
E os bonecos saltavam, irritavam-se, batiam-se, beijavam-se, dançavam, berravam, etc.
Para miúdos e graúdos era um a festa. Tomava-se partido, odiava-se o fantoche mal-encarado, gostava-se do fantoche mais simpático, aplaudia-se, apupava-se, comentava-se, enfim, vivia-se a estória como se os bonecos fossem reais.
Mas não eram....por trás deles estava, na maioria das vezes, o mesmo titereiro.

Não sei porque razão, lembrei-me disto a propósito das "eleições" iranianas.

14 de Junho de 2009

Mais do clima

De vez em quando eu gosto de falar sobre o tempo e hoje, em pleno século XXI, como toda a gente costuma dizer quando não tem para dizer, os políticos e actores de cinema sabem que a mudança climática provocada pelo homem é um perigo para o ambiente e tem de se fazer algo.

Como também é evidente para toda a gente, eventos climatéricos que antes ocorriam naturalmente, tornaram-se hoje provas insofismáveis da mudança climática.
Tanto a última cheia, como a última seca só acontecem hoje, ao contrário do que acontecia antes, por causa da mudança climática.
O gelo que se separa dos glaciares, os furacões, os tornados, as ondas de calor, a alteração dos testículos dos ursos polares, o Al Gore, o Leonardo DiCaprio, etc, fazem também parte das catástrofes que antes nunca aconteceram e que agora nos despertam para a mudança climática.

Estes sinais do fim alertam-nos para a urgência de fazermos "algo".
Há uns anos foi-nos dito que só tinhamos 50 anos para fazer "algo", depois passou para 5 anos e teme-se agora que para fazer "algo", tenhamos que mandar alguém ao passado, para mudar os nossos execráveis e poluentes comportamentos como, por exemplo, expirar CO2.

Cheguei a estas conclusões com um notável modelo climático que fiz em Excel e que , não sendo um modelo topo de gama, é tão parecido com a realidade como estes.

Estou assim apto a juntar-me ao circo do Sr Gore e das estrelas de cinema especialistas em proteger a Mãe Natureza, e garanto-vos que , como eles, estou perfeitamente capacitado para andar de jacto privado de um lado para o outro, a apelar a que as pessoas andem a pé e gastem menos papel higiénico. Se se trata de um bom objectivo de vida para políticos falhados e entertainers , também o pode ser para mim.

A primeira coisa que gostaria de explicar, se eu próprio a entendesse, é porque razão continuam a chamar "Óptimos climatéricos" aos períodos anteriores de aquecimento do planeta, quando parece evidente que se estaria muito melhor debaixo de 1 Km de gelo.

Já li o Evangelho segundo Al Gore e não encontrei lá resposta a este mistério da fé.

1 de Junho de 2009

Sottomayor e racismo

Obama indicou Sónia Sottomayor, uma hispânica, para um cargo vitalício no Supremo Tribunal. É uma nomeação importante dada a relevância deste tribunal no sistema de poder norte-americano.
Como se esperava e é natural, Obama indicou uma "liberal" ( esquerdista, no nosso léxico).
Qual é o problema com esta escolha?

Obama deu há tempos uma ideia do seu perturbador conceito de justiça dizendo que, para ele, um bom juiz é alguém que tenha "empatia", ou seja, que ponha os seus preconceitos ideológicos à frente da impessoalidade da lei.

Sónia Sottomayor parece corresponder a esse perfil, a avaliar pelas duas situações que estão a ser suscitadas nos media e que certamente vão ser esmiuçadas nas audições.

Em 1º lugar, disse há tempos que uma juíza hispânica tenderá naturalmente a produzir melhores decisões judiciais que um juiz branco.
Pouca gente se escandalizou face a uma declaração claramente racista, mas pode imaginar-se o escândalo mundial que se seguiria se um juiz branco produzisse a declaração oposta.

(Para ter uma ideia do que se passaria, basta lembrar que um moçambicano branco, naturalizado americano, e que teve a ideia de se definir como afro-americano, foi suspenso de uma universidade e agredido verbalmente pela nomenclatura esquerdista que domina o campus onde estava a estudar).

Em 2º lugar, está o caso Ricci. O Sr Ricci é um operário branco que há tempos, sabendo que havia um concurso para bombeiros na sua autarquia, meteu uma licença e gastou largas centenas de dólares a preparar-se para o exame, fazendo das tripas coração para ganhar o emprego.
Havia 18 lugares e o Sr Ricci ficou em sexto. Emprego garantido, pensava ele.
Mas pensava mal!
A autarquia anulou o concurso porque, pasme-se, nenhum negro tinha passado nos exames.
Decisão claramente racista , que todavia não fez salivar os habituais activistas, para os quais só há racismo de brancos contra negros.
Se fosse o contrário, isto é, se uma autarquia anulasse um concurso porque nenhum branco tinha passado nos testes, é fácil de imaginar o berreiro que se seguiria.

Como é evidente, o Sr Ricci protestou. O caso chegou a tribunal e a Srª Juíza Sottomayor, munida da sua proverbial e muito gabada "empatia", não quis saber de mais nada e achou que a autarquia tinha razão e o Sr Ricci que se amanhasse e se pintasse de preto.
A decisão foi escandalosamente racista e vários juizes o deixaram escrito, uma vez que estão em causa os fundamentos da Constituição.
O caso irá ser presente ao Supremo nas próximas semanas e pouca gente duvida que será dada razão ao Sr Ricci.

Sónia Sottomayor será desautorizada, mas entretanto ganhará o lugar no mesmíssimo Supremo.
A avaliar pela "empatia" com que toma as suas decisões, os americanos irão ter por muitos e largos anos no Supremo, alguém para quem a justiça não é cega, mas o lugar óptimo para o racismo politicamente correcto.

6 de Maio de 2009

Obama e os memorandos

Os avanços de Barack Obama  na questão dos interrogatórios duros, são um enorme erro de cálculo.

Obama autorizou a publicação dos memorandos que continham os pareceres legais que respaldavam as técnicas de interrogação mais polémicas. 

Éticamente parece bem e é sempre agradável colocar alguma distância entre nós e a lama do mundo. Gostamos todos de frango assado, mas nada de matar ou sequer ver matar o animal.

O problema de Obama é que ele tem de lidar com o mundo real e, ao abrir a caixa, libertou forças que não controla nem pode voltar a meter dentro da caixa.

As pessoas normais estão-se nas tintas paras as subtilezas éticas e jurídicas e o que querem é saber se os métodos foram /são eficazes na prevenção de atentados. 

Obama mandou publicar os memorandos, mas não os documentos que, segundo a CIA, provam o incálculável valor da informação obtida, na luta contra o terrorismo islâmico. (agora rebaptizado para  um anódino "Man made disasters") 


Sim, é verdade que o fim não justifica os meios, mas que vá o Obama explicar a um americano médio que não é correcto assustar um terrorista com um gafanhoto para saber onde ele e os seus compinhchas andam a planear colocar umas bombas.


Se Obama fosse intelectualmente honesto, teria de tornar pública toda a informação. E referir claramente quem é o culpado de quê.

Não o fez. Sem saber para onde se virar, acorreu a desculpar os agentes que executaram as técnicas  (o que é bastante discutível)  e sugeriu que se deve centrar a culpa nos responsáveis políticos da Administração Bush.

É um campo minado no qual Obama entrou sem se aperceber. Perseguir juridicamente uma Administração cessante nunca aconteceu nos EUA e se avançar por aí, abrir-se-á uma guerra total  entre partidos que nada de bom trará à América.

Opinar do alto da burra sobre a maldade do Bush, Cheney, etc, é um bordão intelectual da esquerda europeia e americana. Fica bem em certos círculos. Mas trata-se de uma realidade bem distante da partilhada por uma opinião pública que entende como normalíssimo que um pai de famílla dispare a sua caçaadeira contra um assaltante que apanha dentro da sua propriedade.


Se Obama não queria perder o controlo das coisas, nem chegar às últimas consequências,  não devia sequer ter publicado os memorandos.

Quis satisfazer a sua base de apoio esquerdista e ao mesmo tempo não criar divisões profundas na sociedade americana.

Conseguiu o contrário.  A esquerda tonta quer ver sangue e os adversários polítcos vão cobrar-lhe tudo.


Os agentes da CIA vão evidentemente pensar duzentas vezes antes de executarem determinadas acções.


E se  sobrevier um atentado de razoável dimensão, Obama terá muito que explicar...

14 de Março de 2009

Criminalizar a difamação do Islão

Nos próximos dias 26 e 27 de Março, em Genebra, irá mais uma vez ser aprovada, no Human Rights Council, uma Resolução proposta pelos países islâmicos, e que visa criminalizar a difamação do Islão, classificando-a como “violação dos direitos humanos”.
Já não é a primeira. Houve outras.
A última foi a Resolução 7/19 , aprovada em Março de 2008, com os votos dos países islâmicos, China, Rússia e Cuba, deixando às claras a aliança táctica anti-ocidental de que falava Huntington, e mostrando que a verdadeira divisão do mundo é hoje entre as democracias e as ditaduras .
A Resolução deste ano terá o mesmo título das anteriores: "Combating Defamation of Religions"
Em síntese prevê que qualquer coisa que possa afectar a sensibilidade islâmica, deve ser considerada como “séria afronta à dignidade humana” e clara violação da liberdade religiosa.
Apesar de ser uma non-binding_resolution, funciona como água mole em pedra dura, almejando influenciar mentalidades para que aos poucos vão sendo interiorizadas e introduzidas modificações na linguagem e nas arquitecturas jurídicas locais e internacionais
A Resolução será praticamente igual às dos anos anteriores, e insere-se num plano concertado ao nível da Organização da Conferencia Islâmicapara limitar a liberdade de expressão, imunizando o Islão de qualquer crítica. O Human Rigths Council é um fórum privilegiado, porque está dominado por países ditatoriais. Cuba, Irão Líbia, Rússia, Paquistão, etc, são vice-presidentes e marcam a agenda, o que é mais ou menos como ter as raposas de guarda ao galinheiro. E se nos lembramos que o Irão persegueimplacavelmente os Baha’is, a Arábia Saudita proíbe quaisquer outras religiões além do Islão, e as comunidades cristãs e judaicas são perseguidas pelas autoridades na generalidade dos países muçulmanos, fica-se com uma ideia geral do tipo de “liberdade religiosa” de que falam estes paradoxais paladinos dos Direitos Humanos.
Na verdade o objectivo deste esforço da OIC (que também tem estado por trás de manifestações contra determinados media ocidentais e apoia financeiramente processos judiciais desencadeados em vários países ocidentais) não é proteger os direitos individuais, mas sim blindar um determinado sistema de crença, o islamismo, de quaisquer críticas ou debates.
A “legitimidade” de tais Resoluções, tem levado a uma pressão cada vez maior para a introdução de leis globais contra a blasfémia , e dá aos países islâmicos um fortim legal de onde podem atacar com linguajar jurídico os media ocidentais, de resto explicitamente referidos na Resolução, como promotores deliberados de estereótipos negativos sobre a religião islâmica, os seus fiéis e os seus símbolos sagrados.
A Resolução deste ano tem uma importância acrescida porque antecede a UN Durban Review Conference on Racism, também chamada Durban II, (tudo indica que venha a ser um festim anti-semita, a tal ponto que vários países ocidentais já anunciaram que irão boicotar, face ao draft do texto a ser produzido), e é dado como certo que o seu conteúdo será incorporado nos textos de Durban II. De resto um dos subcomités de Durban II, sob impulso argelino, já anunciou a intenção de emendar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tendo em visita banir a difamação da religião, particularmente o Islão. A proposta de emenda será certamente votada em Setembro, na Assembleia-Geral das Nações Unidas.
Face a isto, os aprendizes de Chamberlain enterram a cabeça na areia e recomendam "diálogo".

Trabant...Magalhães

Parece que o "magalhães" tem alguns problemas menores que, segundo o Secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, de modo algum beliscam a qualidade do projecto e do Plano Tecnológico. Coisas insignificantes, como traduções de inglês para português, foram feitas por especialistas lusos-franceses devidamente habilitados com 4ª classe, etc.
Algumas pessoas mal intencionadas, e de um modo geral dadas a campanhas negras e reles boataria, procuram fazer chacota com estas insignificâncias, para desviar a atenção do povo dos reais problemas do país, que tanto tem sofrido com as políticas neoliberais, de direita e isso, como garante o Dr Mário Soares, entre dois (cada vez mais) raros moments de lucidez.
Mas eles hadem pagá-las, como diria o saudoso ministro Jorge Coelho, hoje mais dado ao negócio do tijolo, passando ao largo de uma brilhante carreira de linguista ou até de tradutor do "magalhães".
Anda de facto aí muita má-vontade contra o governo.
Parece que as pessoas ignoram que os produtos de boa qualidade são invariavelmente produzidos pelo Governo ou por indústrias regulamentadas pelo Governo.
Como por exemplo o Trabant, a escola pública, ou as fantásticas torradeiras produzidas pela indústria soviética, numa gloriosa tradição de bem-fazer que o "magalhães" em boa hora retoma.
Esse é de facto o caminho do futuro.
O governo tem de assumir o combate pelo bem do país e passar a fabricar telemóveis "vasco da gama", cinzeiros "marquês de pombal", aviões "gago coutinho", preservativos " natália correia", etc, para que os cidadãos não se vejam obrigados a consumir produtos de má qualidade, como os Nokia, Toshibas, Mercedes, etc, produzidos por gananciosas multinacionais que exploram os trabalhadores e visam apenas o lucro desenfreado, sem quaisquer preocupações sociais e de "esquerda pá".

Sobre o Irão

Quem manda em Teerão é o Guia Supremo, Ayatollah Ali Khamenei, pelo que aquilo que ele diz numa frase é mais importante que todas as diatribes que Amadinejah disse, diz e dirá ao longo da sua vida. Na verdade Amadinejah e o seu governo de gente exaltada, apenas dizem aquilo que lhes deixam dizer.
Há dois dias Khamenei falou na 4ª Conferência de Apoio à Palestina, onde aliás estiveram presentes os indivíduos mais tenebrosos deste mundo, sem esquecer os companheiros “bolivarianos”.
O seu discurso, repleto de novilíngua, merece ser analisado.
Congratulou-se o Guia Supremo com as “derrotas militares e políticas” infligidas aos “criminosos sionistas” em Gaza e no Líbano. Criticou os pragmáticos muçulmanos que aceitam a existência temporária da entidade sionista, por estarem convencidos de que Israel é forte demais, e atacou sem piedade os que sinceramente aceitam a possibilidade de coexistência pacífica com a entidade que há 60 anos “ocupa ilegitimamente” o território.
Disse que o Holocausto deve ser negado porque “serve como desculpa à usurpação da Palestina”, e reforçou a ideia de que a entidade sionista é um “tumor canceroso”com o qual não se deve negociar, como fazem alguns traidores, pelo que a única via de os muçulmanos alcançarem a vitória sobre a entidade sionista é a “resistência”. O discurso é longo mas o tom geral é este, condimentado com um indisfarçado ódio ao Ocidente.
Que se conclui daqui?
Khamenei é um homem inteligente, socializado num contexto político e religioso que valoriza o conflito, a vitimização (a palavra “islamofobia” foi inventada por Khomeiny) e o “martírio”. Como ele, milhões de iranianos. Se bem que não se possa jurar que o regime iraniano seja, ele mesmo, suicida, a maioria dos seus quadros, particularmente os dos poderosos Pasdaran, está imersa numa ideologia que assenta na agressividade imperialista (herança persa e islâmica) na vitimização e no “martírio” (herança islâmica).
Khameney não se dá ao trabalho de abrir a boca para produzir diatribes mediáticas, pelo que aquilo que diz descreve uma cosmovisão sólida e dogmática que não é alterável em função de manobras tácticas negociais, incentivos ou sorrisos, dos EUA e da Europa.
Os seus quadros de confiança bebem na mesma fonte:
O General Jaffari, Comandante dos Pasdaran, afirmou em 13 de Agosto de 2005 que “O Imã Khomeiny disse que a entidade sionista devia ser eliminada da face da terra. Ainda não pudemos concretizar esse objectivo. Mas devemos executar sem tardar esta vontade do Imã.”
Dois meses depois foi a vez de Ahmadinejad fazer a sua célebre declaração sobre riscar Israel do mapa.
O “moderado” Rafsandjani, actualmente no Conselho de Estado, disse em 14 de Dezembro de 2001 que “Uma bomba atómica será suficiente para destruir o regime sionista, ao passo que a resposta sionista apenas causará danos " .
O que nos leva ao problema do nuclear.
Muita gente entende que um Irão nuclearizado não será muito diferente do Paquistão ou de outros países na posse da bomba, e que se poderá lidar com ele com a clássica estratégia de dissuasão que foi utilizada com a URSS.
Ora isto é desconhecer a mentalidade milenarista que domina a elite iraniana.
Os soviéticos - cantava Sting - “love their children too”. Não tenho dúvidas que muitos dos pasdarans também amam os seus filhos. Mas muitos há que agirão como qualquer suicida muçulmano que, na posse de uma bomba, procura com ela matar o máximo número de infiéis. É impossível controlar todos os milhares de fanáticos que alinham nos pasdarans, quando a mentalidade suicida domina os seus altos escalões. Na guerra com o Iraque esta gente lançou milhares de adolescentes voluntários à frente das tropas de assalto, para rebentar minas e saturar as defesas iraquianas.
Assim que estiverem na posse da bomba, os líderes iranianos desencadearão a mãe de todas as chantagens, sobre Israel, sobre o eixo sunita e sobre a Europa. Assumirão o papel de arautos do povo palestiniano e exercerão sobre Israel uma pressão insustentável. Não haverá equilíbro de terror com as 200 bombas de Israel, porque o universo mental dos pasdarans é o mesmo dos bombistas suicidas. Uma única bomba destruirá Israel, dada a extensão do país. A resposta israelita destruiria obviamente o Irão, mas os seus dirigentes estão prontos a sacrificar o país à causa islamista.
Khomeini, disse-o em Qom em 1980: "Nós não adoramos o Irão, mas sim Alah…que esta terra arda se tal for necessário para que o Islão triunfe”.
Toda a gente sabe que este cenário é inaceitável e os árabes melhor que ninguém. Esta semana o Ministro dos Estrangeiros da Arábia Saudita instou todos os árabesa unirem-se para enfrentarem o “desafio iraniano”. Ontem mesmo, Marrocos suspendeu as relações diplomáticas com o Irão.
Israel e os EUA, cada um por seu lado, não podem também perder este desafio.
Israel arrisca a sobrevivência. A partir do momento em que o Irão tenha a bomba, o país ir-se-á esvaziando, porque mais tarde ou mais cedo ela será utilizada, e as pessoas sabem disso.
Os EUA jogam a sua liderança mundial. Um Irão fortalecido pela vitória política sobre os EUA, faria desabar a arquitectura de segurança americana no Médio Oriente e na Ásia Central, colocaria os estados árabes sob tutela (o Bahrain já é tratado como a 14ª província), desencadearia uma frenética proliferação nuclear e ameaçaria a supremacia do dólar.
Não tenho quaisquer dúvidas que o ataque já está planeado e poderá ocorrer nos próximos meses, a menos que o Irão inverta completamente o seu rumo, o que é pouco provável.
Militarmente não é complicado para os americanos, pese embora a retórica inflamada dos iranianos.
Para os ataques aéreos sobre a estrutura de comando, defesa aérea, unidades dos pasdarans, instalações nucleares, químicas e biológicas, etc., os aviões de 4 ou 5 porta-aviões, os mísseis de cruzeiro e os bombardeiros estratégicos são suficientes para fazer o trabalho. Mesmo uma ofensiva terrestre com 150 000 homens chegará facilmente a Teerão e aos locais a destruir, uma vez que a máquina militar iraniana não é adversário à altura. Obviamente não haverá ocupação, os americanos não podem atascar-se numa tal tarefa. Será entrar, destruir e retirar.
Seguir-se-á uma vaga de fúria antiamericana e anti-ocidental que poderá levar ao poder movimentos islamistas por todo o mundo muçulmano. Israel será atacado do Sul, do Norte e do Irão, e aproveitará para varrer o Hamas e o Hezbollah. Haverá muitos protestos e manifes dos habituais idiotas úteis, mas quando as redes terroristas às ordens de Teerão lançarem vagas de atentados um pouco por todo o mundo, como ameaçou o Gen Jayazeri dos Pasdaran, “Se os EUA atacarem o Irão, cada Estado americano deverá fazer face uma devastação semelhante à do Katrina”, os idiotas perderão alguma vontade de asneirar.
Muita gente encara as palavras dos líderes iranianos como meras fanfarronadas que não se deve levar a sério. Tal visão mostra o desconhecimento da psicologia totalitária: esta gente tende a fazer o que diz, como Hitler provou. Quando chegou ao poder, ingleses e franceses, em vez de levaram a sério a sua declaração de intenções, claramente explícita no Mein Kampf e nos vários discursos, pensaram que podiam “negociar” com ele.
Pessoalmente tenho poucas dúvidas de que nos aproximamos de um momento definidor.
E se os russos venderem o sistema S-300 ao Irão, o relógio começa imediatamente a bater.

Suécia, ténis e Dubai

No Dubai, os islamistas afirmaram o seu ódio aos judeus, impedindo que uma atleta israelita competisse.
Na Suécia, a esquerda tonta afina pelo mesmo diapasão. O juden raus ouve-se cada vez mais alto na Europa, berrado a plenos pulmões, não só pelos habituais grupos neonazis, mas também pelos islamistas, e pela esquerda, como Nick Cohen já tinha denunciado.
O caso é simples: a autarquia de Malmoe decidiu banir os espectadores do jogo da Taça Davis, entre Israel e a Suécia que irá decorrer entre 6 e 8 de Março, alegando problemas de segurança, tal como haviam feito as autoridades do Dubai.
A Polícia garantiu que a segurança está garantida e esta polícia é a mesma que há 3 meses dominou os espasmos de violência que os muçulmanos lançaram, após o fecho compulsivo de uma mesquita.
O responsável pela segurança do recinto garantiu mesmo à televisão sueca que não via nenhuma razão de segurança susceptível de bloquear o acesso do público.
Karin Matsson Weijber, presidente da Federação Sueca dos Desportos, declarou ser óbvio que a medida nada tem a ver com segurança.
Desmascarado, o presidente da Câmara, um esquerdista do Partido Social-Democrata, explicou então que preferia um boicote porque, na sua luminosa opinião, não se devia sequer jogar com Israel. Um seu colega do Partido de Esquerda, pormenorizou a táctica e explicou que: “uma vez que não podemos impedir o jogo, a melhor solução é fechar o acesso do público”.
A questão não é pois a segurança, mas sim a política do ódio. Exactamente como no Dubai. Isto porque Malmoe é uma cidade onde aislamização é rampante, sendo que quase 30% da população já é muçulmana.
O governo sueco, liderado pelos conservadores, está numa situação desconfortável, uma vez que esta caso faz a politica externa sueca refém do fanatismo anti-semita e do radicalismo da esquerda.
Ainda não há 3 anos, o actual Primeiro-Ministro, Fredrik Reinfeldt dizia que os governos sociais – democratas suecos alimentavam irracionais sentimentos antiamericanos e anti-israelitas, prejudiciais para o país, e garantia que ia tomar medidas para atalhar tal estado de coisas.
Desconhece-se como irá evoluir a situação até ao jogo, mas este caso, em que um grupo de esquerdistas se acha no direito de colocar a democrática Suécia no mesmo comboio anti-semita que um autocrático e medieval emirado das Arábias, é um alerta para o monstro que está novamente a crescer na Europa, desta vez alimentado pela esquerda que se acha “esclarecida”.

Mapas do Islão

O Islão (qualquer que seja a corrente) alimenta uma ideia de superioridade moral que fundamenta uma visão essencialmente tripartida do mundo. O mundo, visto da perspectiva muçulmana, mapeia-se de uma forma simples e eficaz: ( há outras divisões menores, mas que não tocam na coerência do mapa maior)

Dar-Al-Islam
O mundo onde os muçulmanos mandam é a casa do Islão, a terra da submissão, o epítome da perfeição, o mundo tal como deve ser.
Vós formais a melhor comunidade suscitada entre os homens” (Alcorão, III, 110).
Os muçulmanos exercem aí a plena soberania. O dar-al-islam aglutina o temporal e o espiritual. César é Deus, o laicismo é repudiado, e a sharia deve comandar a vida política.
O dar-al-islam admite a presença de infiéis, mas dentro de condições bem definidas pela lei divina. Com melhor estatuto estão as “Gentes do Livro”, fiéis das religiões de que o Islão se considera o estádio fechado e definitivo. São dhimnis (protegidos), protecção que resulta do facto de se submeterem. Osdhimmis devem um imposto especial (jiziyya, que paga o direito de viver na umma), não podem usar armas, chefiar muçulmanos, manifestar publicamente a sua fé, exercer proselitismo, ou ter relações sexuais com muçulmanos. Os seus testemunhos são inadmissíveis perante tribunais muçulmanos.
São sujeitos a humilhações, porque “para o verdadeiro crente é uma obra pia expressar publicamente a sua aversão para com o dhimmi” (Juifs et Chrétiens sous l’Islam, Bat Ye’or, 1994).
Os infiéis que não sejam “Gentes do Livro”, são idólatras, pagãos, "o que há de mais impuro no género humano". O seu destino é a escravatura ou a morte, excepto se aceitarem converter-se ao Islão. O que de resto aconteceu no Irão aos esquerdistas que apoiaram Khomeiny.

Dar-Al-Harb
É a casa da guerra, o espaço geográfico jurídico, político e espiritual dominado pelos ímpios. Nesse espaço os muçulmanos devem mentir e dissimular (taqiyya) se necessário mas, se e quando a relação de forças evoluir a seu favor, é seu dever fazer a guerra (jihad) para trazer para o dar-al-islam a parte do dar-al-harb onde se encontram.
não apeleis à paz quando tiverdes superioridade “ (Alcorão, XLVII, 35)

Dar-Al-Suhl
É a terra do armistício. Tal como no dar-al-harb, os muçulmanos são minoritários, mas há uma atitude conciliadora para com os muçulmanos. Tal não anula a compulsão divina para submeter o território ao Islão, trata-se apenas de uma situação provisória ditada por razões tácticas. O infiel é amigavelmente desaconselhado de se esquivar ao proselitismo islâmico “pois a quem quer que se separe do Apóstolo depois do caminho lhe ter sido mostrado, far-lhe-emos enfrentar o inferno" (Alcorão, IV, 15)
O estatuto legal dos infiéis e este mapeamento do mundo recolhem unanimidade nas 4 escolas jurídicas do sunismo e na tradição xiita, o mesmo acontecendo com a necessidade e intemporalidade da jihad, vista praticamente como o pilar adicional do Islão.
Segundo a visão islamista, a sharia deverá reinar finalmente sobre a humanidade e todas as escolas religiosas, “moderadas” ou “radicais”, ensinam isto.
E todos estes conceitos jurídico-religiosos (jihad, dhimmi, dar-al-harb, etc) encontram ilustrações concretas nos diversos aspectos internos e externos de certos países muçulmanos. Com tendência para aumentar, na onda do Ressurgimento Islâmico que está a ocorrer desde o fim da 2ª Guerra Mundial.
O Irão é um dos melhores exemplos, tendo ultrapassando em fervor e atitude a República Islâmica do Paquistão. A sua Constituição reintroduziu legalmente a dhimmitude, devidamente pormenorizada nos artigos 13º e 14º.
O artº 20º, estabelece claramente que os direitos individuais são iguais para todos, mas dentro dos critérios da lei islâmica
Externamente, o Irão entende que Israel ocupa uma parte do dar-al-islam, o que justifica e exige a jihad. Os judeus, sendo gente do livro, não devem ser exterminados, mas também não podem ser aceites na região senão na condição de dhimmis, estatuto incompatível com soberania política. Logo não é possível, à luz da lei islâmica, aceitar um Estado Hebraico. Esta é a razão pela qual nem o Irão nem os movimentos islamistas (Hamas, Hezbolah, etc) podem aceitar a existência de Israel. Opõem-se por isso à solução dos dois estados e entendem que deverá apenas haver um estado, no qual os judeus poderão ser autorizados a viver, com o estatuto que a lei islâmica para eles prevê.
No campo sunita, a Arábia Saudita tem usado o seu poder financeiro para influenciar a atitude europeia, tentando acantoná-la numa espécie dedhimmitude.
As redes terroristas islâmicas aplicam também os conceitos jurídico-religiosos na sua luta contra os infiéis. Se estes se comportarem como bonsdhimmis, podem se poupados aos atentados. Se agem contra os interesses da umma, são ameaçados e castigados.
Por exemplo o Reino Unido foi encarado pelos islamistas como parte do dar-al-suhl, porque aí se acolhiam, e aí pregavam, as organizações e personalidades islamistas mais radicais, contando com a tolerância do governo inglês (o que valeu a Londres o título de Londonistão), que procurava colocar-se ao abrigo do terrorismo islâmico.
A intervenção no Iraque e no Afeganistão fez com que o Reino Unido fosse colocado no dar-al-harb, passando por isso a ser alvo legítimo de ataques.
Com a Espanha passou-se o contrário. A Espanha é por definição alvo da jihad, como Israel, uma vez que já fez parte do dar-al-islam. Aznar exacerbou essa ideia ao aliar-se objectivamente aos EUA. Os atentados de Madrid sancionaram a recusa da dhimmitude. Zapatero acedeu às exigências islamistas, agiu como um bom dhimmi, e a Espanha passou a fazer parte do dar-al-suhl, embora hoje já esteja outra vez no seu lugar correcto no mapa.
Nos dias que correm, os muçulmanos que residem em Espanha, e que já são uma forte minoria, passaram à provocação ostensiva, conforme relata este artigo do The Independent, segundo o qual existem planos para transformar Córdova num local de peregrinação para os milhões de muçulmanos da Europa, uma espécie de Meca europeia, como refere este editorial do ABC.
Os muçulmanos espanhóis exigiram até ser autorizados a fazer as suas liturgias no espaço da antiga mesquita, que agora é ocupado por uma catedral católica.
Estes conceitos são fascinantes pela sua eficácia em matéria de conquista do poder. Foram eles que permitiram alargar o Islão à Europa, à África e à Ásia, nas duas primeiras jihads globais (640-750) e (1020-1689).
Neste momento o Islão parte de novo à conquista do planeta, disse-o Amadinejad não há muito tempo: o objectivo último da política externa iraniana “é o governo unificado do mundo”.
Não se trata de mera fanfarronada, bluff, ou gaffe. A convicção da decadência do Ocidente está profundamente enraizada nos responsáveis e pensadores islâmicos e o pensamento totalitário tem uma psicologia própria.
Hitler é um alerta notável. Ninguém levou a serio aquilo que dizia e que tinha escrito no Mein Kampf, era apenas um homenzinho magro e ridículo, à cabeça de uma nação empobrecida (com menos habitantes do que o Irão tem hoje) e sem músculo militar.
Daí a poucos anos, esse homenzinho exercia o poder desde o Atlântico aos Urais, e fazia planos para o Reich dos Mil Anos e o domínio do mundo.

20 de Fevereiro de 2009

Turquia ou Irão ?

Cada civilização tende a organizar-se em torno de um país, cujo poder faz dele o Estado-Núcleo, escrevia Samuel Huntington no seu “Choque das Civilizações”.

Segundo o professor de Harvard, o choque que está em curso tem como grandes pólos, por um lado o Ocidente, ainda a civilização dominante, e por outro o Islão, a única civilização que ao longo da História esteve por duas vezes à beira de fazer colapsar o Ocidente. Uma aliança sino-islâmica é altamente provável e a civilização ortodoxa (Rússia), pode também sentir-se tentada a juntar forças contra o Ocidente.

Para Huntignton, o problema não é o fundamentalismo islâmico, mas sim o Islão, uma civilização diferente, convencida da sua superioridade da sua cultura e frustrada com a inferioridade do seu poder.

No Ocidente, muitos políticos recusam perigosamente a visão de Huntington, como se recusar a mensagem tivesse o condão de evitar as ameaças que o professor antevê. Chegou-se até ao caricato de, para exorcizar o título da obra, se ter inventado uma “Aliança de Civilizações”, sob os auspícios do inenarrável Zapatero e do primeiro-ministro turco, Recip Erdogan.

Mas a genial obra de Huntington, (quem duvide da sua genialidade pode conferir a inquietante coincidência entre aquilo que escreveu há mais de 10 anos e o que se passa no mundo), foi levada muito a sério no mundo islâmico. Por exemplo, mais de mil exemplares foram comprados pelos Guardas da Revolução ao editor iraniano.

É hoje clara a intenção do Irão em alcançar o estatuto de Estado-Núcleo da civilização islâmica, usando Israel e a Palestina como pretexto para avançadas no território sunita e árabe, onde move já vários peões e algumas peças mais valiosas.

Mas Huntington não considerava ser o Irão o país mais vocacionado para Estado-Núcleo da civilização islâmica, papel que, segundo ele, estava destinado à Turquia.

De facto a Turquia tem quase 80 milhões de habitantes, um GDP nominal de 800 biliões de dólares e uma economia avançada, ao passo que o Irão não chega aos 75 milhões de habitantes, o seu GDP é menos de metade e a sua economia bastante atrasada. Além disso a Turquia é sunita, (tal como 90% do mundo muçulmano), ocupa uma posição estratégica no Médio Oriente, e tem um prestígio histórico que busca raízes no Califado otomano.

O laicismo, introduzido à força por Ataturk e mantido com mão de ferro pelos militares, é um óbice de monta que todavia está em vias de ser destruído. A Turquia está em plena reislamização, tendência que começou na década de 80 e que redundou na eleição do islamista Recep Erdogan. Hoje em dia o laicismo turco é uma ténue sombra do que era há 30 anos e Erdogan tem acelerado o processo, utilizando inteligentemente as exigências democráticas da UE para aniquilar o poder político do Exército Turco, de facto o único obstáculo à reislamização do país.

 Recip Erdogan, parceiro de Zapatero (a quem provavelmente encara como um estúpido dhimmi) na Aliança das Civilizações, afirmou um dia que “a democracia é como um autocarro. Quando chegas ao teu destino, sais", e tem demonstrado com factos que não se tratou apenas de uma frase infeliz.

Na semana passada a Turquia acolheu a conferência sobre a “Vitória de Gaza”, com a participação de centenas de islamistas, tendo como objectivo criar mais uma frente da jihad global.

O apoio turco a semelhante iniciativa, denuncia o progressivo alinhamento do país com as posições anti-ocidentais e anti-israelitas. De resto os oradores fizeram constantes referências elogiosas à recentes atitudes anti-israelitas de Erdogan que nos últimos tempos se sente com confiança suficiente para não temer assumir às claras as suas simpatias islamistas.

Os sinais são claros e inequívocos. A nível interno vem alterando as leis seculares impostas por Ataturk, tem promovido detenções de responsáveis militares alegando conspirações contra o Estado e fez eleger um Presidente que está sob o seu controle.

A nível externo, começou por recusar o transito por território turco da 4ª Divisão americana que deveria invadir o Iraque pelo Norte, assinou tratados com o Irão e com a Síria, e faz questão de intervir na questão israelo-árabe, tomado partido pelo Hamas, convidando Mashal e os lideres do Hamas para conversações e, sobretudo, está a rever profundamente a relação estratégica com Israel, país com quem tinha uma sólida e antiga cooperação militar e de informações.

É verdade que há ainda forças poderosas que se opõem à deriva islamista, especialmente no seio do Exército mas, como disse Yahya Safavi, conselheiro de Ali Khamenei ” A coragem de Erdogan ( em Davos), evidencia o despertar islâmico do povo turco, como resultado de influência da Revolução Islâmica

Salvo um cada vez mais improvável golpe militar, a islamização da Turquia parece imparável e o país surgirá, tal como Huntington previu, como o Estado-Núcleo da civilização islâmica. Dotar-se-á de armas nucleares e os seus seguidores serão o Irão, já nas mãos dos integristas, e o Paquistão, que também não tardará a cair.

Os sheiks do Dubai ( Emiratos Árabes Unidos)  negaram a entrada à tenista israelita Shahar Pe'er, nº 45 do ranking mundial e que ia jogar com a russa Anna Chakvetadze na próxima segunda-feira, num torneio  sob  a égide da WTA.
Houve algumas reacções mais fortes, como a do  Wall Street Journal, que retirou o patrocínio ao torneio, e do Tennis Channel, que suspendou a transmissão televisiva, mas o registo geral foi  de tépida condenação, a começar pela própria WTA que deplorou a atitude e declarou que  futuramente poderá considerar a não calendarização do torneio.
Venus Williams afirmou que todos os atletas estão com Shahar Pe'er.
Palavras bonitas, mas sem consequências práticas.
Lamenta-se, mas o torneio  "no jews allowed", segue dentro de momentos, nada de fazer tempestade em copos de água, que o racismo contra os judeus, não é bem racismo.

Solicito agora a imaginação do leitor para as reacções que se poderiam (e deveriam)  esperar,  se  o Dubai negasse a entrada das gémeas Williams, pelo facto de serem negras.

Chavez ao leme

Se não é à primeira, é à segunda, e se não fosse à segunda seria à terceira, mas isso só se Chavez fosse mais burro do que parece.

Parece, mas não é. Hugo Chavez é inteligente, sabe o que quer e sobretudo sabe como o conseguir. Tem uma implacável mentalidade militar que determina um objectivo, estuda os meios e delineia o conceito de operação para alcançar o objectivo.

O objectivo de Chavez é imitar Fidel Castro e perpetuar-se no poder, mas sem cair na caricatura do típico General Alcazar sul-americano, e mantendo a aura de respeitabilidade de um herói épico, lutador pela felicidade dos povos, etc. E isso só se consegue à esquerda, como Fidel e Allende demonstraram.

Há pouco mais de um ano, Chavez tinha sido derrotado na primeira tentativa de alterar a Constituição. Um ano depois canta vitória.

A diferença entre a derrota e a vitória tem uma explicação simples que eu mesmo já tinha visto funcionar em Angola, numas eleições em que andei por lá: uma campanha propagandística demolidora, monopolista e milionária. Em Angola o dinheiro serviu, entre outras coisas (esta eu vi) para o MPLA oferecer um carro a todos os oficiais superiores. Chavez gastou dez mil milhões de dólares (um terço da receita fiscal anual portuguesa) na ocupação do espaço mediático e em clientelismos vários.

Dinheiro do estado, of course.

Havia pressa. A economia da Venezuela, embebida em petróleo, está a afundar-se. Não só o petróleo baixou de preço, como a produção tem diminuído sistematicamente nos últimos anos, como resultado das nacionalizações e da consequente degradação tecnológica e empresarial.

Sem dinheiro para populismos, Chavez sabe que a sua popularidade vai sofrer um sério rombo nos tempos que se avizinham, e que a miséria vai cair sobre o país. Tinha de fazer agora o referendo, porque daqui a uns meses, mesmo jogando (mais)  sujo,  teria grandes dificuldades para se manter legalmente agarrado à manjedoura.

Mas mesmo com todas estas vantagens, face a uma oposição silenciada, intimidada, e sem dinheiro para mandar cantar um cego, Chavez pouco passou dos 50% e isto é que é assombroso. 

Que se segue?

Segue-se o “socialismo do séc. XXI”, a consolidação do poder e, enquanto houver dinheiro, o apoio ao orgasmo “revolucionário” que varre a América Latina, pilar essencial da sua “legitimidade”.

Cuba é um bom modelo. País miserável, que quando Fidel Castro tomou o poder tinha o 2º PIB da América Central e hoje só está à frente do devastado Haiti, em Cuba a população parece tristemente acomodada à miséria, como os presos sem esperança, e os Castros reinam há mais de meio século, apoiados numa férrea organização do aparelho de estado, o que mostra que o poder pode sobreviver às piores asneiras, como de resto já se tinha visto no Zimbabwe, na Coreia do Norte, etc.

A pedido de Chavez vai ser já instalada em Caracas, sob a supervisão do cubano German Sanchez Otero, uma escola de quadros marxistas.

A Venezuela aparelha-se para  navegar no “mar de felicidade”, como Chavez chamou à miséria cubana, e o Tenente-Coronel trata de garantir que nenhuma tempestade o irá arredar do leme.

Daqui a uns anos as peregrinações babosas de esquerda europeia desviar-se-ão de Havana para Caracas.

É pena para os venezuelanos, mas há um lado bom. A Venezuela será mais uma óptima vacina contra o socialismo, pese embora o facto de um belo dia deixar de ser o “verdadeiro socialismo”, para passar a ser um “desvio monstruoso”. 

Por culpa do capitalismo, do Império, do neoliberalismo, do bloqueio, enfim, do belzebu que  na altura estiver a dar.

Nada de novo debaixo do Sol….Orwell explicou tudo na Quinta do Porco Napoleão.

Cobardia em 2 andamentos

1º Andamento
Geert Wilders critica o Islão.
Os muçulmanos britânicos indignam-se, manifestam-se e ameaçam atacar o Parlamento.
Geert Wilders é preso e deportado.

2º Andamento
Israel ataca o Hamas
Os muçulmanos britânicos indignam-se, manifestam-se, ameaçam e atacam a polícia.
Os britânicos que se manifestam por Israel são atacados e a própria polícia lhes ordena que baixem as suas bandeiras.

Onde está o Reino Unido que acolheu e protegeu Salman Rushdie da fúria islâmica?
Porque não são banidos e deportados os que dizem e berra e escrevem que quem ataca o Islão deve ser morto?

A que extremos de degradação pode chegar a cobardia?

O elixir da longa vida no poder

Todas as religiões têm os seus locais de culto, as suas relíquias, os seus santos e os seus locais sagrados.

Os muçulmanos vão a Meca dar pedradas na Kaaba, os judeus metem papelinhos no Muro, os hindus mergulham no lixo do Ganges e os católicos extasiam-se a ver o Papa a acenar de uma janela.

A esquerda ortodoxa que acha que a religião é o ópio do povo e essas coisas,  babava-se perante o Mausoléu de Lenine e a outra esquerda, especialmente a “bolivariana”, vai a Cuba, prosternar-se respeitosamente perante um matusalém de longas barbas, fato de treino suburbano com remendos no cu, verborreia desatinada e graves problemas na tripa.

No tempo do nosso 1º Rei, era o Papa de Roma que conferia a legitimidade aos reis. No nosso tempo parece ser o Burlão de Havana.

In ilo tempore, até o nosso ex-presidente Sampaio fez a peregrinação da praxe, mas os mais devotos são agora os líderes sul-americanos que, nos últimos tempos, andam num corrupio para darem colheres de yougurt e escutarem de viva voz e com a baba a escorrer dos cantos da boca, as profecias senis do Profeta, as quais interpretam depois para as massas extasiadas, como se tivessem descido da montanha com as tábuas da lei e o novo testamento.

As más-línguas garantem que se trata da intemporal procura do elixir da longa vida no poder, porque o Venerado conseguiu aquilo que nenhum outro caudilho logrou em outra parte do mundo: atracar-se ao poder durante meio século de fracassos contínuos e ganhar a reverência dos fiéis e dos idiotas (passe a redundância), pese embora ter morto cerca de 30 000  “contra-revolucionários”, ter aprisionando outros largos milhares e ter obrigado a fugir largas centenas de milhar, entre os quais uma irmã e uma filha.

Será porventura à procura deste milagroso segredo que os Chavez, os Kirchners, os Morales, os Ortegas, os Correas, os Lugos e outros fiéis ali acorrem em fervor religioso.

Cinquenta anos no poder são a prova que a Relíquia faz milagres, como é próprio de todas as relíquias.

Acorre-se  assim à presença da divindade, para lograr participar no segredo do Graal. E diz-se por aí  que o segredo da longevidade do poder deste Olorun se deve à santeria dos  orixás, pelo que quando Chavez,  Lula e  os outros tontos  correm a babar-se à cabeceira da múmia, provavelmente  estão à procura de absorver por osmose a magia que dele deve tresandar, entre dois episódios gasosos, que o problema da tripa dá digestões difíceis e com externalidades metanosas.

Freeport

Não gosto do Engº Sócrates.
Não por causa da sua cara, do seu fato, dos seus maneirismos, das suas habilidades, ou porque me tenha alguma vez dado uma canelada.
O homem acha que ser socialista é motivo de orgulho e isso define um grau de imbecilidade com o qual não consigo simpatizar, por muito que me esforce.
Já com o peneireiro-de-cabeça-verde, com a luzerna-da-esteva ou o com o sardão-de-bellini, a minha alma enternece-se.
Face a isto, qualquer um diria que no caso Freeport, aqui o Lidador estaria firmemente na trincheira anti-Sócrates e na defesa intransigente dos elevados valores de que agora não me recordo.
Enganam-se!
Não sei se a meia dúzia de hectares que o Freeport foi comer à Reserva, eram o habitat da lula- de-bico-amarelo ou do gambozino-da-estepe, mas sei que a tal Reserva tem milhares de hectares e que a lula, se se sente incomodada com a Zara e a Benetton, tem muito espaço para fazer o que as lulas costumam fazer, seja lá o que for, e esse é o lado para o qual eu durmo melhor.
Ah, mas o Sócrates, ou a família dele, ou os amigos dele, terão embolsado milhões de libras, e são uns corruptos, e patati patatá.
Lamento informar-vos que isso não me aquece nem arrefece e a única sensação que me provoca é uma certa inveja por não me ter abotoado eu.
Chocam-vos estas minhas confissões?
Pois não deviam.
A situação para mim é clara como a água: havia uns milhares de hectares de erva, lodo, lojas de pneus, lixo avulso e natureza (a natureza, como se sabe não é só beleza, inclui também bosta de vaca, cócós vários, guano, etc).
Uns ingleses com olho para o negócio acharam que havia ali uma boa oportunidade de ganhar dinheiro e, por arrastamento, dar dinheiro a ganhar a outros.
O edifício era grande e precisava de um niquinho do quintal da galinhola-de-pé-chato, mas a burocracia e o instituto fundamentalista do ambiente berravam "blasfémia" e faziam como o cão do hortelão: não comiam as couves nem as deixavam comer.
Fizeram pois os ingleses aquilo que eu, à minha escala, faço quando quero que me despachem a papelada a tempo e horas, ou que me troquem os pneus do carro antes das 10.
E com a coisa devidamente oleada, tudo se fez, com evidentes vantagens para o país. Uns milhões de libras voaram de bolsos ingleses e aterraram no bolso de várias empresas portuguesas, que pagaram a empregados portugueses, que foram jantar fora em restaurantes portugueses, e por aí adiante.
Outros milhões de libras terão entrado nos bolsos do Sócrates, ou da família dele, ou dos amigos.
Tudo dinheiro inglês que veio de fora, que aumentou a reserva de divisas, que serviu para comprar coisas, etc.
Não é ético, não é moral, dirão alguns.
Também acho que não, sobretudo porque não fui eu que empochei, mas tenho de reconhecer que tirando o pintassilgo-pilriteiro e o tremoço-selvagem, ninguém pode realmente dizer que está pior.
Muito menos o Sócrates.

Guerras milenares

A milenar luta entre o xiismo e o sunismo, atravessada por linhas étnicas entre árabes e persas, e complicada por relações de interesses entre aqueles que pretendem uma relação com o Ocidente e os que baseiam as suas legitimidades no ódio ao Ocidente está, segundo vários especialistas,  a decantar uma nova Guerra Fria, na região do Médio Oriente.

De um lado o Irão, a Síria, o Qatar (Al Jazeera), e grupos paramilitares no Líbano, Gaza, Iraque, etc.
Este grupo conta com a simpatia da Turquia de Erdogan, da América "bolivariana" e da  esquerda internacional.
Do outro o Egipto, a Arábia Saudita e os restantes países árabes.

Este é o antigo e grande conflito no Médio Oriente, disfarçado apenas pelo factor Israel.
Mas o jogo está a definir-se e as espingardas a ser contadas.

No início da semana 9 estados árabes (Abu Dhabi, UAE, Egipto, Arábia Saudita, Marrocos, Autoridade Palestiniana, Jordânia, Yemen, Bahrain e Tunísia)  reuniram-se no Abu Dhabi e foi clara e explícita a identificação da ameaça iraniana.

Para os próximos dias está agendada uma reunião do outro lado, desta vez na Síria, para celebrar a "vitória"  em Gaza, tendo sido convidados o Irão, o Qatar, o Hamas, o Hezbolah, a Turquia, e a  Venezuela.
Por enquanto a guerra é apenas de cimeiras..

3 de Fevereiro de 2009

Demografia e violência

Estudos vários apontam uma elevada correlação positiva entre o grau de violência de e numa sociedade, e a percentagem de população jovem, particularmente homens.

De um modo geral, nos grupos humanos onde as mulheres têm mais filhos a violência aumenta, pode tornar-se endémica e só tende a acalmar quando as taxas de fertilidade descem para níveis de cerca de 2 filhos por mulher

Altas taxas de fertilidade e populações extraordinariamente jovens são características da generalidade dos países africanos e muçulmanos, por diferentes razões.

A violência também.

Quanto às sociedades muçulmanas, entre 1975 e 1990, morreram centenas de milhares de pessoas no Líbano, mais ainda na Argélia entre 1999 e 2006 e, em ambos os casos, o morticínio só acabou quando o número de jovens machos e as taxas de fertilidade baixaram de tal modo que deixou de haver suficiente carne para canhão. Há mais casos demonstrativos e o leitor interessado poderá ele mesmo verificar esta correlação.

Correlação que nos faz desaguar em Gaza, onde cada mulher tem em média 5 filhos, pelo que a violência é expectável e não apenas por causa do conflito com Israel. Efectivamente quando Israel ocupava a Faixa, morriam mais palestinianos em violência fratricida do que em luta com Israel.

E, pese embora a obsessão dos media mundiais com o conflito Israelo-árabe, e as constantes condenações por “massacres” , “holocaustos”, e “genocídios”, a crueza dos números diz-nos que em 60 anos de sucessivas guerras e atentados terroristas, este conflito traduziu-se em 60 mil mortos, dos quais 20 mil israelitas.

No mesmo lapso de tempo, mais de 10 milhões de muçulmanos perderam a vida em guerras intestinas.

Provavelmente desencadeadas pela Mossad, uma força “obscura” omnipotente, mas não o suficiente para silenciar génios como este.

A que se deve a elevada taxa de fertilidade em Gaza?

Por um lado à cultura islâmica e ao papel que a mulher nela desempenha, e por outro lado aos efeitos perversos da ajuda humanitária, particularmente da UNRWA.

A UNRWA, uma paquidérmica, politizada e enviesada estrutura de ajuda aos refugiados palestinianos, especificamente criada para 700 000 e que hoje, mediante uma exótica interpretação do conceito de “refugiado”, apoia mais de 4 milhões dos seus descendentes, propiciando tais cuidados às crianças, que liberta os pais de qualquer responsabilidade para com o seu bem-estar e o seu futuro.

Os cálculos de planeamento familiar que nas nossas sociedades todos os pais responsáveis fazem, e que determinam muitas vezes o número de filhos que acham que podem ter, estão totalmente ausentes nos “refugiados” palestinianos, porque a UNRWA trata de tudo. Ela vacina, alimenta, educa, trata, veste e ainda ajuda na “justa luta” da “resistência” contra a “ocupação”.

Metade da enorme quantia que a UNRWA gasta nestas interessantes actividades, vem dos nossos bolsos, quer queiramos quer não, uma vez que é ajuda da EU.

Os EUA chegam-se à frente com mais de 30% e os restantes 20% vêm de outros dadores, dos quais só 6% são muçulmanos. O grosso da ajuda muçulmana vai para a islamização e para a aquisição de armas.

O resultado deste ilimitado e gratuito welfare é uma população irresponsável quanto ao planeamento familiar e, paradoxalmente, o alimentar de uma contínua bolha de violência que não parará mesmo que Israel deixe de ser o pretexto, como de resto se viu o ano passado, com palestinianos a fazerem experiências sobre a queda dos graves, usando como material de laboratório, os seus concidadãos e os prédios que lhe andamos a pagar.

Em Gaza, jovens machos ciosos e despreocupados quanto à necessidade de ganhar o próprio sustento, acabam naturalmente por dedicar-se às tarefas que lhes dão algum dinheiro e lhes permitem acalmar as hormonas: cavar túneis, disparar mísseis, fazer exercícios militares, etc. A doutrinação no ódio e no culto da morte, dá-lhes um objectivo alternativo que canaliza para a agressão o natural voluntarismo de juventude.

O efeito perverso das ajudas nunca é tido em conta pelas pessoas “bem intencionadas”. Recorde-se que em África, o boom demográfico e o consequente alastrar da fome e da violência se deveu em grande parte à ajuda alimentar, uma vez que o leite fornecido pelas almas caridosas reduzia o tempo de amamentação materna fazendo disparar as taxas de fertilidade das mulheres.

A situação em Gaza tende a piorar. Há lá hoje 300 000 jovens do sexo masculino com idades entre os 14 e os 30 anos e daqui a alguns anos esse número subirá para quase 450 mil.

Mesmo que seja alcançada a paz com Israel, não é possível evitar a violência que esta tão elevada concentração de jovens machos desocupados inevitavelmente provoca.

A luta acontecerá seja qual for o pretexto, pelo mero determinismo demográfico, a menos que seja reduzida a ajuda humanitária, de tal forma que os pais tenham de cuidar dos filhos que, pelo facto de serem menos, serão preciosos de mais para morrerem em guerras.

Claro que a UNRWA não quer isto. A sua existência e a consequente carreira de milhares de funcionários, depende da perpetuação desta inanidade.

White phosphorus

Não sei se alguém se recorda, mas em 2006, na guerra contra o Hezbolah, a aliança islamista e esquerdista, bravejava fúrias contra os crimes de guerra sionistas, e berrava que Israel usava 'ilegalmente' cluster bombs…

De facto Israel usava e usa munições de fragmentação, como todos os exércitos em guerra. Passada a histeria propagandística, as odiosas clusters bombs regressaram à gaveta, e as únicas condenações tiveram lugar na cabeça dos esquerdistas europeus, que todavia nem uma única vez levantaram a voz contra os milhares de rockets que caíram sobre povoações israelitas e que também explodiram e se fragmentaram, como é típico da maioria das bombas.

Agora andam por aí aos pinotes os maluquinhos do fósforo branco, gritando outra vez contra os crimes de guerra sionistas e o uso ilegal de bombas de fósforo. Garantem, arrepelando os cabelos, que há provas de que Israel usou fósforo branco, como se constatar que a água molha, fosse uma prova da conduta criminosa da água.


De facto Israel usou granadas de fósforo branco (WP), munições ao serviço de todos os exércitos, disparadas de morteiros e peças de artilharia, para sinalização, cortinas de fumos, iluminação, etc.

O fósforo branco é também largamente usado nos flares que os helicópteros e os aviões largam constantemente em operações, e que se destinam a atrair mísseis que perseguem fontes de calor.

O tipo de granadas usadas em Gaza, e que largam os pedaços de fósforo a uma determinada altura, foi intensivamente utilizado no Iraque, quer para criar cortinas de fumos, quer como arma psicológica contra combatentes em abrigos.

A táctica americana em Falujah consistia em usar granadas de WP para fazer saltar o inimigo dos abrigos, e granadas explosivas HE para o aniquilar quando já estivesse cá fora.

Os israelitas observaram a técnica e utilizaram-na em Gaza. Em 1994, na batalha de Grozny, 4 em cada 5 granadas disparadas pela artilharia russa, eram de WP. Na verdade o W.P não é proibido por nenhum tratado do qual Israel seja signatário.

Alguns países aderiram ao Protocolo III da Certain Conventional Weapons Convention (CCWC), o qual também não proíbe o uso de WP, como uns certos activistas do absurdo acreditam, ou pretendem fazer crer, na permanente compulsão para diabolizar Israel.

Dito isto e sabendo-se que até o nosso Exército tem milhares de granadas de WP, mesmo que Israel fosse signatário do Protocolo III, a verdade é que não teria cometido qualquer ilegalidade quanto ao uso do fósforo branco na guerra contra o Hamas.

As granadas que utilizou não era incendiárias e o Protocolo estabelece com meridiana clareza que granadas de fumos, iluminantes e sinalizadoras, NÃO são consideradas incendiárias, mesmo que tenham alguns efeitos incendiários.

O que o Protocolo proíbe aos signatários, é o uso de armas incendiárias (armas criadas para incendiar, como o napalm, por exemplo), com o único fim de matar civis. Coisa que não aconteceu em Gaza.

Proíbe também que sejam atacados alvos militares em zonas de concentração de civis, com armas incendiárias lançadas de plataformas aéreas. Coisa quetambém não aconteceu em Gaza.

Proíbe ainda o uso de granadas incendiárias lançadas por artilharia sobre alvos militares em zonas de concentração de civis, excepto se forem tomadasprecauções susceptíveis de minimizar os efeitos sobre civis. Ou seja, mesmo um signatário do Protocolo (que Israel não é) poderia ter usado muniçõesincendiárias (que Israel não usou) em áreas edificadas, desde que tomasse algumas precauções, sendo uma delas avisar a população civil para abandonar a área do objectivo militar.

Na verdade, mesmo não tendo usado meios incendiários, Israel avisou as populações para abandonarem as zonas de combate, através de televisão, rádio, telemóveis, altifalantes e panfletos, o que demonstra um cuidado extraordinário e sem paralelo em qualquer outro conflito de que haja memória.

Em suma e para concluir:

1. O uso de WP é legal, mesmo para os estados signatários do Protocolo III.

2. Ainda que Israel fosse signatário do Protocolo III, não o teria infringido, uma vez que não usou armas incendiárias.

3. Os "crimes de guerra", são apenas uma estridência propagandística que certas pessoas deglutem sem mastigar, incapazes de perceberem que estão a ser tocadas à vara e usadas como ovelhas para balir os slogans que interessam ao islamofascismo e ao anti-semitismo.

Gert Wilders e a liberdade de expressão

Há uns tempos fui acusado de difamação por, num texto publicado num jornal local, ter tecido considerações menos abonatórias sobre a conduta de um indivíduo no desempenho das suas funções numa determinada associação.

O indivíduo considerou-se difamado, o Ministério Público acompanhou, e em menos de um fósforo aí estava eu acusado de dois ou três crimes e sob a exigência de uma indemnização de 3 mil euros.

Requeri abertura de instrução, apresentei os meus argumentos e na semana passada a juíza deu-me razão, com um despacho de não-pronúncia que é um hino à defesa da liberdade de expressão e uma vigorosa admoestação ao carácter do queixoso o qual, de resto, ficou com um melão de fazer inveja a Almeirim, especialmente quando passei por ele com um riso escarninho.

Isto é um caso pessoal, mas refiro-o aqui a propósito do ataque que a liberdade de expressão, um dos direitos humanos fundamentais, está a sofrer no Ocidente, face à investida islâmica.

Creio que o Carmo da Rosa nos irá dar conta disso, mas na Holanda, na libérrima Holanda, um tribunal acaba de fazer suas as regras draconianas que a Arábia Saudita usa para impedir a blasfémia, pretendendo julgar Gert Wilders pelas suas críticas ao Islão.

O racional parece ser o de que as críticas de Gert Wilders são ofensivas. Como as minhas relativamente ao indivíduo que acima referi.

E é porque as críticas podem ser (em ordinário são) ofensivas, que existem leis para proteger a liberdade de expressão. Para alguém escrever que o sol nasce e as andorinhas fazem os ninhos, não são necessárias leis protectoras. Se a liberdade de expressão for abalroada por poder ser ofensiva, então não haveria sequer qualquer discussão política.

O tribunal holandês que se prontificou a adoptar a sharia no caso de Gert Wilders, produziu uma argumentação perturbadora, afirmando que Gert Wilders deve ser processado, entre outras coisas por " insultar os muçulmanos, ao estabelecer comparações entre o Islão e e o Nazismo".

(coisa que eu faço constantemente, aliás)

Ora a ideia de punir pessoas por ofenderem os sentimentos religiosos de outrem, é exactamente aquilo que os países islâmicos pretendem há vários anos, ou seja que o Ocidente adopte leis contra a blasfémia e a "difamação do Islão". O que, para vergonha da ONU, levou já à criação, no Conselho das Nações Unidas para os direitos humanos, de um special rapporteur para a liberdade de expressão, cuja tarefa principal é fiscalizar os "abusos da liberdade de expressão", nomeadamente em matéria religiosa, particularmente do Islão.

O tribunal holandês presta-se a fazer aquilo que os muçulmanos da Holanda há anos pretendem: silenciar Gert Wilders, alvo já de várias fatwas e que vive sob vigilância policial 24 horas por dia.

Um país em que uma deputada tem de fugir do país devido à fúria islâmica, em que pessoas são mortas na rua por fundamentalistas islâmicos e em que a liberdade de expressão claudica face ao Islão, é cada vez menos um país livre.

Jus in bello

A guerra e o direito na guerra (jus in bello) não coexistem bem, mas ultimamente o relacionamento tornou-se mais difícil, particularmente nos estados de direito.

O recente clamor da estranha aliança islamo-esquerdista, reclamando sobre os “crimes de guerra” israelitas (mas não sobre os da outra parte), apesar da sua intenção propagandística, mostra que o abismo entre a razão da guerra e a razão do direito se está a alargar.

No caso da Gaza, fomos, ao longo de várias semanas, intoxicados com os números das vítimas palestinianas, números cuja fonte era o Hamas, e que os jornalistas e ONG repetiam acriticamente, sempre em tom indignado e condenatório, chorando baba e ranho sobre as “vítimas civis, nomeadamente mulheres e crianças.

Parece que nada se passou tal como foi trombeteado, como de resto já havia acontecido com a guerra contra o Hezbolah.

Segundo o Corriere della Sera , o número de mortos andará por menos de metade, os testemunhos recolhidos demonstram o uso deliberado de civis como escudos humanos, e o discurso com que os terroristas do Hamas mimoseavam os que não aparentavam grande entusiasmo com tamanha honra, é revelador:

Traidores, colaboradores de Israel, espiões da Fatah, covardes! Os guerreiros sagrados punir-vos-ão. Ireis morrer, como nós. Lutar contra os judeus sionistas garante-nos a todos o paraíso. Não quereis morrer connosco?”

(Corriere della Sera, 21 de Janeiro de 2009)

Israel, como país em guerra, é provavelmente o que tem melhor registo histórico no respeito do jus in bello, mesmo combatendo inimigos existenciais que ostensivamente violam as regras, mas hoje em dia todas as democracias têm este tipo de preocupações, e desde o Iraque ao Afeganistão, passando pelo Médio Oriente, os planos militares são constantemente adaptados para se conformarem a interpretações, muitas vezes radicais e ideológicas, do jus in bello. De tal modo que os exércitos ocidentais se vêem hoje obrigados a empregar conselheiros jurídicos, chamados a pronunciar-se previamente sobre a legitimidade dos alvos, e até dos projécteis. (a indignação quanto ao uso de granadas de fumos e iluminantes é a quintessência da estupidez colectiva, uma vez que não há UM único exército do mundo que não tenha este tipo de munições nos seus paióis, e por boas razões. Sem ir mais longe este escriba, num determinado período da sua vida, usou dezenas delas e fez elaborados cálculos sobre cortinas de fumos, usando granadas de morteiro, 10.7 e 120).

Adiante...

Uma vez que certos países europeus admitem a extraterritorialidade do alcance do seu sistema jurídico em determinados tipos de crime, os chefes militares sabem que existe a possibilidade de serem detidos e processados no âmbito de miríades de processos que, mesmo não tendo bases sólidas, levam o seu tempo a resolver-se e podem causar prejuízos irreparáveis aos arguidos/acusados.

Não estando os militares interessados nisto, na prática tenderão a precaver-se, agindo de acordo com as mais estritas interpretações do direito, em detrimento das modalidades de acção mais adequadas em termos estritamente militares.

Quem vislumbra ao longe a paz perpétua, encara esta situação com regozijo e acredita até ser um passo no caminho do "bem".

O problema é que o direito internacional só se aplica a quem o aceita e, se seguido por apenas uma das partes, torna a sua vitória impossível e a derrota provável. As leis humanitárias são especialmente sensíveis. Uma vez que levam apenas em conta as consequências para os civis, criam uma artificial dicotomia, entre as partes em guerra e os respectivos cidadãos. Dá-se um corte com a realidade que leva a razão do direito a entrar em conflito com a razão da guerra e o conselheiro jurídico a chocar com o decisor militar, cujo objectivo principal, recorde-se, não é proteger os civis do inimigo, mas sim ganhar a guerra e desta maneira proteger os civis e soldados próprios.

O resultado é perverso. Os generais abdicam de ganhar a guerra porque não querem ser processados, e a parte que não respeita as regras passa a usá-las como instrumento táctico, colocando os seus meios junto a populações civis, doravante usadas como escudo humano e instrumento de propaganda.
Aconteceu no Iraque, no Líbano, em Gaza, e está também a acontecer no Irão, que constrói deliberadamente as suas instalações nucleares junto aos aglomerados populacionais.

Paradoxalmente, foram os muçulmanos que criaram, no início do Séc VII, o primeiro conjunto conhecido de normas a respeitar na guerra, normas essas que agora violam completa e ostensivamente.

Islamismo, perdão e submissão

O comentador lucas escreveu que "o Cristianismo assenta os seus postulados "NO AMOR A DEUS"[...] o islamismo assenta-os "NA SUBMISSÃO A VONTADE DE ALLAH" em primeiro lugar"

E espetou o dedo na ferida, embora eu pense que o cristianismo tem mais a ver com os conceitos de culpa e perdão, do que com amor. A nossa civilização não é o "cristianismo", mas a sua matriz ética e moral, para além das contribuições clássicas e judaicas, vem do cristianismo e este assenta sobretudo no elogio do perdão.

O Islão significa literalmente "Submissão", e louva também a clemência e o amor de Allah, mas sem a condicionar à clemência para com os inimigos, ao contrário da prece cristã que inclui a frase “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".
Poucos agiram, agem ou agirão de acordo com este ideal, mas ele está presente nos arquétipos culturais, naquilo que se ensina, se transmite, e acaba por reverter para a ordem social e jurídica.
O cristianismo visa a paz pelo perdão e consequente conciliação.
O Islão procura a paz pela submissão do infiel ou, em alternativa, pela sua aniquilação.
Cristo manda dar a outra face, Alá manda matar os idólatras.

Como já escrevi algures por aí, numa metáfora felina, encaro o cristianismo como um gatinho.
Já foi selvagem, já arranhou, mas agora está mais ou menos domesticado. Por vezes afia as unhas no sofá, urina nos cantos e mostra as unhas, mas faz parte da casa e deixa-nos felizes quando ronrona e procura a nossa companhia.

O islamismo é um tigre selvagem e esfomeado que trouxemos para casa. Não mandamos nele, bem pelo contrário. Os “proprietários” escondem-se pelos cantos, andam aterrorizados, e quando os vemos à janela, a berrar cá para fora, não é de felicidade por terem um tigre em casa, mas pelo facto de o bicho estar nesse exacto momento a trincar-lhes o lombo.

Onu, Pedro e o Lobo

São numerosos os relatos, fotos, vídeos e declarações que mostram que, em Gaza, os terroristas do Hamas circulam e combatem em instalações da ONU e das suas agências com, no mínimo, um fechar de olhos dos responsáveis locais das Nações Unidas, que chega em alguns casos à descarada conivência

Said Siam, o líder do Hamas abatido ontem, chegou a ser professor numa dessas escolas da ONU em Gaza, e pode-se imaginar que tipo de coisas ensinava um homem conhecido pelo seu radicalismo e pela sua crueldade, temido ao ponto de, em 2007, centenas de palestinianos de Gaza terem procurado protecção, fugindo para o território da temida "entidade sionista".

A ONU toma partido todos os dias em Gaza e a sua actuação é o retrato da crescente descredibilização, que infelizmente não pára aqui.

Hoje mesmo está reunida a Assembleia Geral das Nações Unidas, numa sessão surreal, convocada à revelia das normas da própria ONU, porque o Presidente de mesma Assembleia assim o quis. Uma Assembleia presidida por Miguel D’Escotto, um sandinista, um padre vemelho, um homem que ganhou um Prémio Lenine, um capo do totalitarista Daniel Ortega, grande amigo de Chavez, que não hesitou em abraçar efusivamente Amadinejad quando este fez um patético discurso nas Nações Unidas, e saudar desde Manhattan a “revolução” cubana .

Um obcecado antiamericano e um feroz anti-semita que não hesita em verbalizar constantemente o seu ódio a Israel.

Outra agência das Nações Unidas, o Conselho dos Direitos Humanos, (UNHRC) é ainda mais exótica. Criada há menos de 3 anos para substituir a completamente desacreditada Comissão dos Direitos Humanos, que se tinha transformado num fórum anti-semita, não tardou a seguir pelo mesmo caminho. Constituido por uma maioria de estados africanos, muçulmanos e sul-americanos, onde os direitos humanos são uma anedota, não tardou a abolir os Special Rapporteurs para Cuba, Bielorússia e Coreia do Norte, considerando que não há nada de preocupante nos direitos humanos, nesses países.

Em contrapartida criou um Special Rapporteur on Freedom of Expression, cuja missão principal, atribuída pelo grupo islâmico, é exactamente oposta à designação, e consiste basicamente em relatar os abusos da liberdade de expressão em matéria de ofensas à religião, particularmente o Islão.

A lista de proezas do UNHRC fala por si: em menos de 3 anos de existência, pronunciou-se 26 vezes, das quais 21 sobre Israel, como se neste pequeno país, onde existe uma democracia e um estado de direito, os direitos humanos estivessem mais ameaçados do que na generalidade dos países muçulmanos, na América do Sul, na Ásia ou na Africa.

Assim, enquanto Israel merece dezenas de "vigorosas condenações" o Sudão, que tem morto literalmente milhões de pessoas, fica-se com uma única e tímida "preocupação". Cuba, Arábia Saudita, China, Irão, etc, não estão sequer no radar deste organismo, apesar do total desrespeito destes países pelos mais elementares direitos humanos.

É também por estas razões que a ONU é cada vez menos levada a sério. Se um organismo que era suposto ser um repositório de uma certa ética nas relações internacionais, se degrada deste modo, as suas deliberações deslizam inevitavelmente para a irrelevância.

No fundo é a velha história de Pedro e o lobo.