22 de janeiro de 2015

FOI DEUS?



O judaísmo e o cristianismo são claros:
 Deus criou tudo a partir do nada (o que pode significar que criou tudo de si mesmo, já que mais nada havia, senão ele).

A matéria, valha a verdade, não necessita de Deus, a ciência explica a sua criação a partir da energia.
Paul Dirac descobriu que concentrando energia, aparecia matéria e anti-matéria onde antes nada existia. Ganhou um Nobel por isso.

E quem criou a energia?
Bem, embora não se saiba muito bem o que é a energia, (Einstein disse-nos que E=mc2, ou seja, disse que a matéria é basicamente energia armazenada) sabemos que pode tomar muitas formas, sei lá, movimento, calor, energia potencial. E pode ser positiva e negativa. Num campo gravítico, por exemplo, a simples atracção, uma energia potencial, pode gerar matéria.
Ou seja, a simples curvatura do espaço-tempo, gera matéria e energia.
Ah, mas então e quem criou o espaço e o tempo?

E pronto, desembocamos sempre no chamado argumento cosmológico, segundo o qual tem de haver uma primeira causa. Deus!
São Tomás de Aquino desenvolveu-o de forma brilhante e não é nada fácil falsificá-lo, excepto se se admitir um universo estacionário, sem inicio nem fim, o que parece estar fora de questão.
O argumento típico de um bom promotor fidei é: “E o que causou Deus?”
A resposta só pode ser que Deus é um ser necessário que é causa de si mesmo, mas há que reconhecer que há aqui uma falha lógica, já que então também se pode dizer que o Universo é causa de si mesmo.
O argumento tem outro problema: é que o tempo é criado com o próprio universo, pelo que a relação causal só existe no universo. Sem tempo não há antes e depois, logo não há causas. Esta ideia não é de nenhum NobeL, mas sim de um clérigo do séc IV, Santo Agostinho, que assim interpretou o Génesis, numa espantosa antecipação da cosmologia do séc XX.

A teoria quântica introduz perplexidades nisto tudo. Segundo ela, a mente ao influenciar o futuro, pode definir o que acontece no passado. A consequência lógica desta estranha tese, é a de que o universo só vem à existência se produzir vida e consciência. Será portanto um universo autocausado.
Bem, mas e as matérias primas desse Universo? Surgiriam do nada? Porquê?
Em suma, por muitas voltas que se dê a isto, desemboca-se sempre numa vontade exterior ao universo. E mesmo que se admita que o nosso universo é apenas um entre muitos fragmentos isolados do espaço-tempo, estamos apenas a aumentar para lá dele a necessidade de criador e continuamos incapazes de responder a uma perguntinha muito simples:
Porque há universo?

GÉNESIS



A questão está desde sempre presente no espírito humano: 
-Houve criação? Se sim, quando e porquê?

Todas as religiões se pronunciam sobre isto mas, nos tempos que correm, é para a ciência que se voltam aqueles que procuram respostas.
No limite só há duas alternativas: ou o universo sempre existiu, ou teve um começo algures no passado. 
Se não começou, então é infinito e este conceito significa,por exemplo, que tudo o que está a acontecer já aconteceu antes um número infinito de vezes, o que é muito difícil de “pensar”.
Se começou, então irrompeu do nada. Como? Porquê?

Quanto aos porquês, a ciência mal se atreve e trata de assobiar para o ar.
Quanto ao “como”, a maioria dos especialistas sustenta a teoria, bastamente apoiada em provas, de que o universo irrompeu do nada num evento primordial conhecido por big-bang.

A 2ª Lei da Termodinâmica confirma. A cada momento a entropia aumenta, o universo como um todo tende para o caos, um equilíbrio termodinâmico no estado de mínima organização.
Daqui se concluem duas coisas simples:
1-O universo irá, um dia, ter uma morte térmica, dissolvendo-se na própria entropia.
2-Não pode ter existido sempre, porque então já estaria em morte térmica há um tempo infinito.

Existe uma coisa chamada gravidade, um encurvamento do espaço-tempo que faz com que os corpos caiam uns nos os outros. A Terra só não cai no Sol, porque está a rodar no seu “poço” de espaço-tempo, como uma mota no “poço do inferno”. O mesmo acontece com as estrelas em volta do núcleo das galáxias.
Mas como as galáxias não rodam em torno de nada, porque razão não se precipitam umas nas outras?
Simples, disse Hubble...estão a afastar-se a velocidades inacreditáveis. O universo está em expansão, como um balão que incha. Para onde? A pergunta talvez não faça sentido...o “onde” é espaço e esse parece cria-se no próprio universo.

Se o universo se está a expandir, isso significa que já foi mais pequeno. Há 15 biliões de anos, teria o tamanho de um berlinde e uns infinitésimos antes estava contraído num ponto sem dimensões.
Um estado infinitamente contraído e paradoxalmente ilimitado.O “infinito” é vertiginoso e muito difícil de pensar.
Einstein propôs uma ideia: tal como a Terra é uma esfera (finita mas sem limites), o Universo seria uma hiperesfera, inimaginável pelo nosso cérebro, mas trabalhável pela matemática. Pode imaginar-se a hiperesfera a encolher até o seu hiperraio ser zero.
O instante inicial do big bang, é um limite do pensável e do tempo, no qual o espaço deixa de existir. Uma singularidade.
Este conceito de o espaço ser criado a partir do nada é muito difícil de entender, até porque temos na cabeça a ideia de que o espaço é “nada”.
Mas a verdade é que o espaço está ligado ao tempo e quando um se encolhe, o outro também. O big bang parece ser o “momento” da criação do espaço e do tempo e só a matemática lida com isto sem estranheza.
Como seres humanos, precisamos de criar imagens mentais das coisas, dos átomos, das ondas, mas por vezes isso é impossível, porque não estamos equipados para figurar conceitos para lá das nossas dimensões e experiências. É como, mutatis mutandis, um cego imaginar as cores.
E embora todos estejamos preparados para viver, medir, falar, no tempo e no espaço, não os conseguimos visualizar em si mesmos como coisas que estão aí.
Quanto ao big bang em si, que muitos vêem como o acontecimento da criação, descrito de forma poética no Génesis (talvez não por acaso, o proponente da teoria foi o padre belga, George Lemaitre), há uma série de observações que sustentam a sua validade como modelo explicativo do “como”.

Porquê, quem ou o quê, é responsável por essa criação?

“Quero saber como Deus criou este mundo.”- disse Einstein.

VOTO OBRIGATÓRIO?



Freitas do Amaral, que ultimamente engrossa uma brigada de gerontes a quem o passar do tempo não parece ter acrescentado sabedoria, é conhecido por dar uma no cravo e outra na ferradura com a cândida convicção de quem está absolutamente seguro daquilo que diz.
Umas vezes vocifera cavalidades de racha pessegueiro, outras sai-se com ideias interessantes.
Não sei se se trata de um caso de esquizofrenia, um Dr Jekyll e um Mr Hyde à bulha dentro do bom do Doutor, mas isso agora também não interessa nada.
O que interessa é que esta ideia do voto obrigatório, me parece excelente. Se calhar porque estou de acordo, claro, achamos sempre excelente aquilo que nos acaricia as convicções, mas neste caso, só vejo vantagens:
Obriga as pessoas a fazerem escolhas, responsabiliza-as e evita que proto-fascistas disfarçados de Cassandras, andem por aí a advogar soluções cesaristas, malhando forte e feio na ideia de democracia.
Porra, a democracia levou uma porrada de tempo a decantar, muitas cabeças investiram vidas de trabalho na sua germinação, não faz sentido que seja posta em causa por preguiçosos e por tarados.
Querem uma democracia melhor? Mais funcional? Mais real?
Vão votar, façam escolhas, não se fiquem nas encolhas a criticar tudo e todos, como os velhos dos Marretas.
Não gostam dos protagonistas, não se reconhecem no show?
Apresentem-se a votos ou votem em branco.


(Março, 2014)

A FÚRIA DO TÓZÉ


O Tozé Seguro está furioso e teme-se pela sua úlcera. Há pouco vi-o no Telejornal tão exaltado que estranhei. O que teria acontecido?
É verdade que de vez em quando fala como se estivesse em permanente comício, mas nunca o tinha visto assim.
Averiguei e concluí que o debate de hoje no Parlamento, lhe correu francamente mal. Parece que o Passos Coelho o terá acusado de andar a agoirar um 2º resgate. AJS ter-se-á levantado de imediato, negando peremptoriamente tal malfeitoria e exigindo mesmo que PPC provasse, ali e agora, que ele, AJS, tinha afirmado tal coisa.
Fez mal.
Devia saber que quando se fazem afirmações destas, é porque se tem na manga uma boa pistola, pelo que a prudência aconselha a esvaziar o assunto em vez de o empolar e sair à liça de mangas arregaçadas e postura de campeão da rua dele.
PPC, visivelmente satisfeito, fez-lhe vontade, mortinho estava ele, e saca do baú alguns registos mediáticos nos quais AJS dizia mesmo que vinha aí o 2º resgate.
A cara do AJS ao ouvir a leitura dos registos, foi digna de ser ver e, confesso, até eu, que não aprecio nada o senhor e o considero um xóninhas, senti uma onda de misericórdia a atabafar-me os gorgomilos.
E pronto, foi isso.
AJS, ouvido à saída pelos jornalistas que, sacaninhas psicopatas, caíram em cima dele como abutres em disputa da carniça, estava pois naquele estado de quem levou uma carga de porrada e nem sabe de onde elas caíram.


(Março, 2014)

UMA DANÇA INSTRUTIVA


Tenho estado a seguir com algum interesse as "negociações de paz" que a Administração Obama parece obcecada em forçar, entre a Autoridade Palestiniana e Israel, apesar de estes não estarem lá muito interessados nelas, embora por razões diversas.
O assunto é algo esotérico para a generalidade das pessoas, mas é bastante engraçado e demonstrativo do modo como os muçulmanos encaram os compromissos e a palavra, sendo consequentes com a ética e a moral que buscam raízes no Corão.
Em resumo, trata-se de uma ética muito parecida com a que vigora entre os comunistas, ou seja, "bom", "certo","honesto", "justo", "verdade", etc, é tudo aquilo que favoreça a causa. E os antónimos aplicam-se a tudo o que a desfavoreça.

Nestas negociações, Israel entra para negociar fronteiras, estatutos, segurança, etc. A AP, entra para obter coisas.
As precondições foram simples:

 A AP abstinha-se de usar as organizações internacionais para fazer lawfare, Israel libertava prisioneiros condenados por terrorismo.
 Israel foi libertando os prisioneiros, a AP festejou e manteve-se mais ou menos nas negociações, isto é, foi às reuniões, mas claramente se tornou óbvio que apenas estava ali para obter a libertação dos terroristas.
Ante de libertar os últimos do acordo, Israel endureceu as posições e a AP retaliou enviando aplicações para 15 organizações internacionais. A ideia é obter pela via da pressão internacional aquilo que se comprometeu a alcançar com negociações.
As negociações acabam em Abril. A AP já empochou a libertação de largas dezenas de terroristas, Israel nada obteve.
Para as prolongar, a AP exige agora novas precondições, a saber: congelamento das construções israelitas nas areas em disputa, aceitação por Israel das fronteiras baseadas na Linha Verde, cedência de Jerusalém 

Estas, e mais umas coisas engraçadas que Israel não pode obviamente aceitar e que, no fundo, implicavam que nada havia mais a negociar, porque a AP teria obtido tudo aquilo que pretende, antes mesmo de se sentar à mesa.
Não faz sentido, mas a verdade é que tem sido com este método, aconselhado no Corão, que Israel vem sucessivamente sendo embarretado ao longo dos anos, fazendo gestos diplomáticos que depois são transformados em factos consumados.
Mutatis mutandis é como um tipo levar, num dia especial, o pequeno almoço à cama à sua mais que tudo, e ela passar a exigir que ele o faça todos os dias.
Um gesto de amor, transforma-se numa obrigação penosa.
É fascinante observar esta dança e ler depois nos media europeus, as análises que atacam Israel pela sua "intransigência".


(Março, 2014)

O Paradoxo do Semáforo


A Física Quântica conclui que é o acto de conhecer  "escolhe" qual a possibilidade que desagua na realidade.
Mas,  uma vez que há muitas entidades a conhecer, qual prevalece?
O Nobel da Física, Victor Franz Hess, formulou o Paradoxo do Semáforo.
Se eu "crio" a minha realidade e o leitor cria a dele, e estamos os dois com pressa, queremos que o semáforo fique verde. Mas se nos aproximarmos do mesmo cruzamento em ruas perpendiculares, o semáforo só estará verde para um de nós?
Quem decidiu que consciência prevalecia?
A resposta, nos termos da teoria quântica, foi sugerida por Dr. Amit Goswami, Ph.D., L.Bass, e Casey Blood, e implica a existência de uma consciência em escala maior, à qual estão ligadas todas as consciências singulares. Como corolário, a ideia de que a consciência é não-local e se comunica sem limites de tempo e espaço, como se residisse noutra dimensão. Curiosamente isto remete para o conceito jungiano.
A comunicação de informação a velocidades infinitas ( maiores portanto que a da luz) é outros dos factos estranhos que a nova física não consegue explicar. O "entanglement", assim se chama o fenómeno, vá lá, em linguagem terra a terra, consiste em duas partículas "ligadas", alterarem instantaneamente determinadas características assim que uma delas se altera, mesmo que estejam a distâncias incomensuráveis. Einstein chamava ao fenómeno "spooky action at a distance".
Um filme que aborda estas ideias tão estranhas, é What the bleep?

https://www.youtube.com/watch?v=0rx9ogysYfA

12 de janeiro de 2015

DIÁLOGOS IMPORTANTES



PPC: Vá, anda cá, AJS, Tozé, querido, chega-te para mim, vamos lá dialogar.

AJS: Ai, que coisa, já te disse que estou sempre pronto para o diálogo, mas agora não, não sejas chato.

PPC: Não sejas assim, anda, temos que discutir o futuro dos nossos filhos, o Plano de Poupança, enfim, é mesmo preciso, não sejas tolo, vamos lá dialogar, dubidubidu...só um diálogozinho, anda.

AJS: Diálogo é comigo, estou sempre aberto ao diálogo, mas acho que tens sido mau para mim, tens-me ignorado, não entendes as minhas necessidades, e agora não me apetece, pronto, estou com enxaqueca...

PPC: Vá, querido, tenho de insistir, temos aqui umas continhas para pagar, temos de ir ao banco pedir dinheiro, se formos os dois é mais fácil, vamos ao menos fingir que dialogamos, porra pá!

AJS: Tens muita lábia, eu já te conheço de ginjeira, eu não finjo que dialogo, eu sou todo pelo diálogo, mas agora não, não temos nada a dialogar, vai dialogar lá com a tua amante alemã, essa rameira.

PPC: Bardamerda pá...andas para aí armado em cão com pulgas, a pensar no Jean Franciú, pensas que ele te vai levar ao altar, queres passar pelos pingos da chuva sem te molhares. Pode ser que te f*****!

AJS: Vês? É esse o tipo diálogo que queres? Estás a insultar-me, a ser bruto. Eu sou pelo diálogo mas assim não, eu dialogo com a malta dos consensos, não com gente mal-educada, como tu.

PPC: Ok, excedi-me, chiça até um santo perde a paciência, desculpa lá cherie, mas não podíamos ao menos chegar a um consensozinhp sobre algumas merdas, sei lá, a prestação do carro, a conta da luz, essas coisas?

AJS: Eu dialogo e faço compromissos com toda a gente, e tu não és mais do que os outros. Mas consensos é só com os 70 + 70. Mas agora não, agora paga mas é tu as contas e não me aborreças com coisas miúdas.Tenho mais em que pensar.

PPC (murmurando) : rumblerumblerumblerum ...Hollande... rumblerumblerum ....António Costa. .rumblerumblerumb ...cabrão do caraças....rumblerumblerumbl ....hás-de acabar bem, hás-de!

AJS: O que é que estás para aí a resmungar? Não te oiço seu palonço, é assim que tu queres dialogar? Fica sabendo que eu, quando estiver na mó de cima, dialogarei com toda a gente, para lhes explicar que não posso reverter nenhuma das asneiras neoliberais que andas para aí a fazer. Sim, porque eu tenho uma estratégiaganhadora, , uma via diferente, feita de crescimento e emprego.

PPC: Ah é? E como é que vais fazer isso, ó xoninhas?

AJS: Não digo, não digo, não digo...e o povo já conhece as minhas propostas. Tenho dialogado imenso. E assim que fôr 1º ministro (ó mãe, ó p'ra mim, 1º ministro!) decreto imediatamente que haja crescimento e emprego, em vez de andar nesta vergonhosa subserviência aos mercados.

(Março, 2014)

Este Peter não é nuts!

Este Peter também não é nuts!

Peter Fenwick, neurocientista, bolseiro da Fundação BIAL, apresentou no 10º Simpósio Aquém e Além do Cérebro os resultados do seu trabalho em torno de experiências de final de vida. Após um trabalho de 10 anos em recolha e processamento de testemunhos, o investigador concluiu que estas experiências ocorrem em mais de metade dos casos de morte consciente. Por outro lado, analisou um conjunto de fenómenos parapsicológicos nos momentos de fim de vida para concluir igualmente sobre a sua ocorrência frequente.
Entre outras coisas, Peter F. disse que  " No momento da morte têm sido observadas formas a deixar o corpo e por vezes o quarto ilumina-se, fenómeno similar ao que ocorre em algumas experiências de NDE. Um dos mais interessantes aspectos destas experiências são as coincidências no momento da morte. Isto mostra uma ligação entre pessoas emocinalmente ligadas mesmo que estejam em continentes diferentes, o que sugere que a mente pode ter uma característica não local"

O ISLÃO É AMOR....também na Nigéria


Milhares de mortos, em atentados suicidas com meninas.
Este fim de semana, enquanto os "estúpidos" do MEC se afadigavam a informar o povo, sobre o que entendem por "verdadeiro Islão", meninas de 10 anos, vestidas com coletes de bombas, foram enviadas para se fazerem explodir no meio de infiéis, numa orgia de paz e amor, versão "verdadeiro Islão".
No pasa nada, são só alguns "extremistas violentos"....as meninas também eram "extremistas violentas", não há problema nenhum, a culpa é do Bush, das cruzadas, dos judeus e do "neoliberalismo e do Fernão Capelo Gaaivota. 
Nada disto tem a ver com Islão, sosseguem, que do Livro apenas ressuma paz, amor, misericórdia e mais 99 coisas muito doces, como jurou, sem se rir, um amigo meu.
12 Jan 2015  

15 de agosto de 2014

ISTO É PESADO, MAS DEUS JOGA AOS DADOS.



Embora a mente não seja uma coisa que exista num lugar, existe como conceito abstracto e a sua relação com o cérebro é um enigma filosófico que o reducionismo não soluciona. Bem podem os neurocientistas atarefar-se a mapear a actividade eléctrica do cérebro que jamais chegarão ao fundo do problema.

Há aqui uma relação entre matéria e informação que desemboca directamente no estranho mundo da teoria quântica. E esta fornece a mais convincente prova científica de que a consciência humana tem um papel essencial na natureza da realidade física.

É estranho, até chocante.
Niels Bohr dizia que quem não se sentir chocado com esta teoria, é porque não a compreendeu. Eu não a compreendo e contudo fico embasbacado.

Efectivamente parece passar por aqui a fronteira do entendimento da existência, da consciência, quiçá, de Deus, seja ele o que for, e quaisquer que sejam as convicções religiosas de cada um, o factor quântico não pode ser ignorado.

Descendo à terra, a teoria quântica é essencialmente um ramo prático da física e a ele se devem coisas como o laser, a energia nuclear, os supercondutores, etc,etc. Está em todo lado, na verdade, até nos aparelhos electrónicos que saturam a nossa paisagem cultural.

Mas para lá desse agradável aspecto prático, há uma estranheza filosófica que resulta da bizarra incerteza fundamental que preside a todos os fenómenos atómicos.
Esta incerteza choca de trombas com a ideia prevalecente de um previsível mundo a obedecer como um relógio às leis imutáveis da mecânica.
Ora o mundo atómico nada tem de ordenado. É um completo caos! Um mundo onde os adjectivos do dia são “incerteza” e “imprevisibilidade”.

A sólida tábua que vemos, agarramos e apalpamos é, no seu limite, constituída por vazio e por um turbilhão de imagens fugidias e fantasmagóricas.

A imprevisibilidade tem a ver com a cadeia causal. Há quem argumente com esta cadeia para provar que até Deus precisa de uma causa. Pois bem, o factor quântico deita este hilariante argumento ao chão. No mundo das partículas há acontecimentos sem causa, embrulha!

Quanto à incerteza, Niels Bohr intuiu que ela era um factor intrínseco da natureza,e as regras, bem, quando muito são as da roleta.

Einstein indignou-se: Deus não joga aos dados!
O debate foi épico. O que em última análise estava em causa era de monta: o átomo é uma coisa ou uma construção da mente humana?
A teoria quântica diz que não pode ser uma coisa. É essa a ideia fundamental do Princípio da Incerteza de Heisenberg.
Uma coisa que não está localizada algures ou não se mexe, não é uma coisa!

Bohr foi mais longe. A certa altura afirmou que esse mundo difuso só se torna realidade quando observado. Sem observação é um fantasma.
Mas, perguntava Einstein e qualquer pessoa sensata, não é verdade que o mundo exterior existe, seja ou não observado? Não se limitam as nossas observações a desvelar, em vez de criar?
Não, garantia Bohr, não é nada disso.
Einstein achava que só podia ser brincadeira. Resolveu-se a expôr o ridículo da teoria dos fantasmas quânticos e propôs uma experiência. Não a vou aqui descrever porque tinha de fazer desenhos e não tenho pachorra.
O resultado?
Bohr 1- Einstein-0
Deus não só joga aos dados, como nem sabe para onde os atira!

E onde isto nos leva?
Como é que multidões de fantasmas se combinam para fazer uma cadeira? E porque razão tem a consciência humana esse poder de transformar fantasmas em realidade?
Eu não sei...

Um dos aspectos estranhos da teoria é a dualidade onda-partícula, que remete directamente para a dualidade mente-cérebro.
Uma partícula é bastante diferente de uma onda...é um pedaço de matéria, ao passo que a onda é uma perturbação. Como é que a luz, por exemplo, pode ser as duas coisas ao mesmo tempo e determinar-se apenas quando a observamos?
Um paradoxo!
O mundo macro determina a realidade micro da qual é constituído, o observador consciente projecta na realidade a matéria de que é feito. Parece ser a consciência humana que faz colapsar a onda quântica.
E faz todo o sentido a pergunta: existirá a mente como entidade separada da matéria mas podendo actuar sobre ela?
Cada vez me convenço mais que sim e que a consciência humana é qualquer coisa de extraordinário.