30 de Novembro de 2009

Difamação da religião

Salman Rushdie, Van Gogh, Hirsi Ali, Redeker, o cartoonista e editor do famoso Jyland-Posten , etc, foram são, serão, alvos da jihad, por terem ousado criticar o Islão, ou certos aspectos do Islão.

Há alguns anos, os aiatolas iranianos cunharam a palavra “islamofobia” para deslegitimar todos os que criticam o islamismo.

No passado dia 12 de Novembro, um comité da Assembleia Geral das Nações Unidas, aprovou uma resolução patrocinada pela Organização da Conferência Islâmica, que visa “combater a difamação da religião”.

Estratégias diferentes, o mesmo objectivo: impedir a discussão do islamismo.

Está a resultar. A autocensura espalha-se como uma mancha de gordura, motivada pelo “respeito”, eufemismo para “medo”.

Os limites do absurdo foram ultrapassados na Universidade de Yale, cuja direcção proibiu há dias a reprodução das caricaturas dinamarquesas, num livro “The Cartoons That Shook the World” cujo objecto é justamente o estudo dessas caricaturas.

Mais ou menos como proibir fotografias do galo de Barcelos, num livro intitulado "O Galo de Barcelos"

Mas a estratégia insidiosa da OIC, de alterar a lei internacional para proteger o islamismo, é muito mais preocupante.

Todos os anos, rotineiramente, o Conselho das NU para os Direitos Humanos, vem aprovando a mesma resolução sobre a “difamação da religião”. São resoluções não vinculativas, e a última, datada de Março deste ano, estabelecia que “ a difamação da religião é uma séria afronta à dignidade humana”.

Como se sabe, o costume é uma das fontes principais do direito internacional, e aos poucos esta água mole vai sendo interiorizada.

Mas a OIC quer ir mais depressa. Em Genebra vai promover, ainda este ano, a adopção de uma provisão legal que obrigue os estados membros a proibir o criticismo da religião. Na carta explicativa a OIC mostrou ao que vinha: estabelecer que os direitos humanos não são intrínsecos do indivíduo, e equiparar a religião a um direito humano, de modo criminalizar a crítica ao Islão.

Para quem não reparou ainda, a inversão é total: proteger a religião dos indivíduos que a criticam, em vez de proteger os indivíduos de dogmas religiosos que os possam oprimir.

Alguns países ocidentais, nos quais a liberdade de expressão é um principio fundador, em vez de se oporem de forma determinada, negoceiam e tergisversam, presos do complexo de culpa, com receio de ofender a sensibilidade dos países muçulmanos.

Os EUA obâmicos são o mais recente caso de cedência, ao coautorar, com o Egipto, uma resolução (no mês passado) sobre a liberdade de expressão, em que se condenam “ os esterótipos negativos sobre as religiões”.

Parece linguagem inócua e florbélica, mas não é. A OIC precisou que os tais “estereótipos negativos são sinónimo de difamação de religião e xenofobia”. Ora isto já não é apenas linguagem abstracta, vai directamente aos indivíduos, que podem ser perseguidos criminalmente. Obama coloca assim o peso dos EUA na legitimação da repressão de egípcios como o bloguer Kareem, preso por “insultar o Islão”, quando criticou a intolerância religiosa islâmica.

A questão que se coloca é clara e iniludível: quando se protegem os direitos de uma abstração, como a religião, quem fala em nome dela? Quem é que sente a ofensa? O aiatola? O Rei de Marrocos? O Rei da Arábia Saudita?

O xeque Munir pode processar-me por "difamar" a sua religião?

29 de Novembro de 2009

Começou o backlash

Começou o backlash

Tudo parece indicar (as últimas projecções para aí apontam) que os suíços acabam de aprovar em referendo, a proibição de construção de minaretes em território suíço.
O governo, assustado pelas ameaças muçulmanas de represálias económicas, fez campanha contra a proibição, bem como a bempensância habitual.
Apesar da massiva campanha, o povo suíço demonstrou que os tem no sítio e que entende o que está em causa.

É pena que a ideologia politicamente correcta que vai corroendo o nosso tempo, impeça a maioria dos políticos europeus de encarar de frente a questão da ameaça islâmica que ensombra o continente, deixando que uma causa intrinsecamente justa e vital, seja catalogada de "xenófoba".
Não é.
A questão islâmica é uma ameaça existencial à nossa civilização, ao nosso modo de vida e aos nossos valores.
Um responsável islâmico suiço veio queixar-se de que os "muçulmanos já não se sentem seguros aqui", o que é música para os meus ouvidos.
Oxalá ( inchallah) não se sintam aqui seguros e não se sintam aqui bem. Vieram para cá por caridade, demos-lhe tudo o que nunca tiveram, e de repente reparamos e vêmo-los instalados no nosso sofá, de telecomando na mão, a ditar o que devemos ver, dizer ou pensar, a fazer explodir o bar e a condenar a roupa que as nossas filhas usam.
Nos próximos dias os países muçulmanos, principalmente a Organização da Conferência Islâmica, vão berrar, vão ameaçar, vão entrar em histeria. É o que sempre têm feito, com excelentes resultados.
As ONG habituais vão protestar, organismos da ONU vão condenar, a esquerda europeia vai estrebuchar, mas isto iria acontecer mais tarde ou mais cedo.
Espero ver aqui um início de uma reacção generalizada

11 de Novembro de 2009

Fundamentos da democracia

Por vezes há que voltar ao fio de prumo.
As conversas são como as cervejas, as ideias enrolam-se e às tantas as palavras já não significam aquilo que significavam.
Se acha esta introdução sofisticada, tem toda a razão, quer a ache boa, quer lhe pareça uma razoável merda, porque a palavra "sofisticado", é uma daquelas que tem hoje um significado exactamente oposto ao seu significado original.

Adiante!
Há dias assisti a uma conferência do Dr João Carlos Espada, sobre os Fundamentos da Democracia.
O Dr Carlos Espada usa a velha tecnologia de escrever no quadro e vê-lo ali, de pequena estatura, fato, lacinho e modos suaves, a tropeçar nos fios, capta a atenção e faz esboçar alguns sorrisos.
Depois ele começa a falar e a sua estatura aumenta e ocupa toda a sala. E o que diz , escreve e apaga, torna-se tão simples e claro que nos perguntamos porque é que nunca pensámos nas coisas daquela maneira.

Ah, sobre a democracia.
O Dr JCE falou essencialmente de Popper, Hayek ,Oakeshott e Leo Strauss.

A coisa é simples:

Há 3 formas de exercício do poder:
Monarquia, em que governa um
Aristocracia, em que governam alguns
Democracia, em que governam todos

Estas formas são como cores básicas....podem combinar-se em muitos cambiantes. E todas elas admitem variantes perversas:
A monarquia tem como variante degenerada, o despotismo,, a ditadura de um
A aristocracia, o governo dos melhores, degenera na oligarquia
A democracia tem como perversão, o "rule of the mob", no limite a anarquia.

Popper (A sociedade aberta e os seus inimigos) formula sobre estes conceitos um paradoxo notável:
Estas formas podem ser auto-destrutivas em si mesmas. Por exemplo, se se considerar que a melhor forma de governo é a monarquia, então o monarca pode decidir delegar poder em alguns ou em todos, isto é, a melhor forma de governo, no exercício da sua virtude, introduz formas de governo que são , nesta hipótese, "piores"

Claro que Popper considera que a melhor forma é a democracia, mas uma democracia que não seja transformável, na aplicação, noutras formas de governo.
Tem de haver limites e é aqui que ele diverge radicalmente de Rousseau, que pensava que a maioria do povo tem toda a legitimidade para decidir o que entender.
Os limites de Popper são , simplificando, a possibilidade de "despedir os maus", ou seja, as eleições, os direitos individuais, como esfera inviolável que nem a vontade de uma maioria democratica pode tomar de assalto, os "checks and balances" e, enfim, o "rule of law".
É a democracia constitucional, aquela que ainda vamos tendo, aquela que Louçãs, Chavez, Jerónimos e afins, consideram "burguesa", super estruturas que o capitalismo usa para sobreviver.

O que se está a observar na América Latina, a "chavização", é expurgado o fumo da retórica, uma rejeição da democracia constitucional, usando a máscara de Rousseau.
Introduz-se a paródia da chamada "democracia popular" que, obviamente, vai terminar, segundo o Paradoxo de Popper, em oligarquias, anarquias ou ditaduras.

Para acabar, onde é que entra aqui Hayek?
Hayek explicou ( e ganhou um Nobel por isso) que as sociedades onde o governo não controla tudo, a informação que circula entre os agentes é muito mais volumosa e rica do que a que é possível num sistema centralizado, onde os canais são verticais e de sentido único.
Por isso as sociedades centralizadas podem ser mais eficazes na realização de um objectivo concreto e limitado mas, a médio e longo prazo, falham no resto.
Por exemplo, a URSS propôs-se ultrapassar o Ocidente na produção de aço, e conseguiu-o, mobilizando os esforços da sociedade.
Mas quando o conseguiu, já o Ocidente tinha passado a usar plásticos em muitas aplicações, e o aço que produzia era melhor e mais barato.

Ou como aquela história verídica do responsável pelo abastecimento do pão a Moscovo ter, numa visita a Londres, ficado maravilhado com o facto de não só não haver faltas de pão, como ser possível escolher e comprar infinitas variedades de pão a qualquer hora do dia.
Quis contactar o seu homólogo londrino e abanou a cabeça, aturdido, quando lhe explicaram que ninguém era responsável, que não havia homólogo

5 de Novembro de 2009

Se Israel tem, porque é que o Irão não pode ter?

Quando se aborda a questão do nuclear iraniano, é recorrente o argumento de que o Irão na posse da arma atómica, não será substancialmente diferente de outros países que também a têm, e surge quase sempre o argumento de que “se Israel tem, então o Irão também tem direito a ter”.

Há quem se questione mesmo se a preocupação com o Irão, não será um caso de “dois pesos e duas medidas”.

Há aqui questões políticas e jurídicas complexas e que não se deixam aprisionar em narrativas tão simplistas.

Politicamente falando, todos os estados soberanos reservam para si o direito de desenvolver programas nucleares para fins civis e militares. EUA, Rússia, China, Índia, etc., fazem-no. Israel não se sabe, porque mantém uma politica deliberada de “não confirmo nem desminto”, por razões estratégicas, mas presume-se que sim.

Há vários anos que, no quadro das Nações Unidas, se procura controlar estes programas, tendo como racional a ideia de que a proliferação tornará o mundo inseguro, pela multiplicação das possibilidades de erro, irracionalidade e escalada.

Nesse quadro, muitos países comprometeram-se voluntariamente com o Tratado de Não Proliferação. O Irão foi um deles. Tal como Portugal.

Assinar o TNP implica a expressa renúncia a programas militares e a aceitação de inspecções dos programas civis por parte da AIEA.

Ou seja, Portugal e o Irão podem ter um programa atómico, podem enriquecer urânio, mas têm de seguir os procedimentos e limitações decorrentes do tratado que assinaram.

O problema com o Irão, é que não está a fazer nada disso.

O Irão pode, a qualquer momento, dizer que não está mais limitado pelas cláusulas do NPT, retirar-se do tratado, e prosseguir com os seus programas de forma soberana.

Não o faz, porque quer manter-se na luz da legalidade e sabe que se dela se retirar antes de ter disponíveis vectores nucleares, será tratado como o vizinho perigoso da rua, e os vizinhos podem mexer-se para o impedir.

Em termos de Direito Internacional, existe um problema: o Irão, ao ocultar sistematicamente à AIEA, partes do seu programa nuclear, e ao colocar obstáculos às actividades de inspecção, violou e viola os compromissos que assinou,

Por isso é perfeitamente natural que se instale a suspeita de que as suas intenções não são claras. E é daí que brota o alarme e a mobilização de uma grande parte da comunidade internacional, perante aquilo que percebem naturalmente como uma ameaça à sua segurança.

No plano político a questão é incontornável: quais as razões pelas quais o Irão prossegue tais actividades e, especialmente, por que razão tenta ocultá-las?

A diferença entre o Irão e Israel (ou o Reino Unido), é que os poderes destes países não passam a vida a ameaçar outros países de que vão fazê-los “desaparecer do mapa”. São actores racionais.

A França está aqui perto, os seus aviões, submarinos e mísseis alcançam o local onde moro, e nem por isso me sinto preocupado. Na verdade Portugal está mais seguro pelo facto de países aliados terem armas destas.

Na inversa, não acredito que um iraquiano, um saudita, um egípcio, etc., se sinta mais seguro por ter como vizinho um Irão dotado de armas nucleares.

Pelo que se sabe, é justamente o contrário, de tal forma que até os sauditas, inimigos figadais de Israel, permitem discretamente que aviões israelitas sobrevoem o seu território, no caso de um ataque ao Irão.

O programa israelita é uma ameaça para os vizinhos? Alguns acreditam que sim e, no limite é-o mesmo, uma vez que Israel usará o seu arsenal se a sua sobrevivência estiver em causa, mas limitemo-nos aos factos: os belicosos vizinhos de Israel manifestam-se contra, obviamente, mas não com grande indignação, porque sabem que Israel é um actor racional, pelo que nem sequer tentaram iniciar uma corrida ao nuclear, para contrabalançar, coisa que já estão a fazer relativamente ao Irão.

Porquê? Pelas mesmas razões que levam a Alemanha a não criar um programa nuclear militar para equilibrar o inglês. Porque tanto a Alemanha como os vizinhos de Israel percebem tratar-se de programas defensivos, meras forças de dissuasão, que não se destinam a ser usadas, mas sim a dissuadir ataques.

Se o Irão preocupa, é porque é percebido como um estado revolucionário; porque sabemos que, quando dispuser de um guarda-chuva nuclear, o irá utilizar para incrementar o apoio a movimentos terroristas nos países vizinhos, sem temer sofrer retaliações; porque tememos que possa encaminhar para estes grupos, alguma dessa tecnologia; porque se trata de um governo repleto de fanáticos religiosos e não confiamos que gente desta seja capaz de gerir racionalmente uma situação de tensão; porque sabemos que os vizinhos irão, também eles, tentar dotar-se dos mesmos meios, numa imparável corrida ao nuclear que, mais tarde ou mais cedo, se descontrolará e terminará numa catástrofe global.

29 de Outubro de 2009

Cartas de Inglaterra-Eça

“ Este extraordinário movimento antijudaico, esta inacreditável ressurreição das cóleras piedosas do século XVI é vigiada com tanto mais interesse em Inglaterra quanto aqui, como na Alemanha, os judeus abundam, influindo na opinião pelos jornais que possuem (entre outros o Daily Telegraph, um dos mais importantes do reino), dominando o comércio pelas suas casas bancárias e, em certos momentos mesmo, governando o Estado pelo grande homem da sua raça, o seu profeta maior, o próprio Lord Beaconsfield”.
“Mas que diremos do movimento na Alemanha?
Que em 1880, na sábia e tolerante Alemanha, depois de Hegel, de Kant e de Schopenhauer, com os professores Strauss e Hartmann, vivos e trabalhando, se recomece uma campanha contra o judeu, o matador de Jesus, como se o imperador Maximihiano estivesse ainda, do seu acampamento de Pádua, decretando a destruição da lei rabínica e ainda pregasse em Colónia o furioso Grão de Pimenta, geral dos dominicanos –, é facto para ficar de boca aberta todo um longo dia de Verão.
Porque enfim, sob formas civilizadas e constitucionais (petições, meetings, artigos de revista, panfletos, interpelações), é realmente a uma perseguição de judeus que vamos assistir, das boas, das antigas, das manuelinas, quando se deitavam à mesma fogueira os livros do rabino e o próprio rabino, exterminando assim economicamente, com o mesmo feixe de lenha, a doutrina e o doutor.
E é curioso e edificante espectáculo ver o venerável professor Virchow, erguendo-se no parlamento alemão, a defender os judeus, a sabedoria dos livros hebraicos, as sinagogas, asilo do pensamento durante os tempos bárbaros – exactamente como o ilustre legista Roenchlin os defendia nas perseguições que fecharam o século XV!
Mas o mais extraordinário ainda é a atitude do Governo alemão: interpelado, forçado a dar a opinião oficial, a opinião de Estado sobre este rancor obsoleto e repentino da Alemanha contra o judeu, o Governo declara apenas com lábio escasso e seco «que não tenciona parara alterar a legislação relativamente aos israelitas».
Não faltaria, com efeito, mais que ver os ministros do império, filósofos e professores, decretando, a D. Manuel, a expulsão dos judeus, ou restringindo-lhes a liberdade civil até os isolar em vielas escuras, fechadas por correntes de ferro, como nas judiarias do gueto.
Mas uma tal declaração não é menos ameaçadora.
O Estado dá a entender apenas que a perseguição não há-de partir da sua iniciativa: não tem porém uma palavra para condenar este estranho movimento anti-semítico, que em muitos pontos é presentemente organizado pelas suas próprias autoridades.
Deixa a colónia judaica em presença da irritação da grossa população germânica — e lava simplesmente as suas mãos ministeriais na bacia de Pôncio Pilatos.
Não afirma sequer que há-de fazer respeitar as leis que protegem o judeu, cidadão do império; tem apenas a vaga tenção, vaga como a nuvem da manhã, de as não alterar por ora!
O resultado disto é que numa nação em que a sociedade conservadora forma como um largo batalhão, pensando o que lhe manda a «ordem do dia» e marchando em disciplina, à voz do coronel – cada bom alemão, cada patriota, vai imediatamente concluir desta linguagem ambígua do Governo que, se a corte, o estado-maior, os feld-marechais, o senhor de Bismarck, todo esse mundo venerado e obedecido não vêem o ódio ao judeu com entusiasmo, não deixam de o aprovar em seus corações cristãos... E o novo movimento vai certamente receber, daqui, um impulso inesperado.
Que digo eu? Já recebeu.
Apenas se soube a resposta do Ministério, um bando de mancebos, em Leipzig, que se poderiam tomar por frades dominicanos mas que eram apenas filósofos estudantes, andaram expulsando os judeus das cervejarias, arrancando-lhes assim o direito individual mais caro e mais sagrado ao alemão, o direito à cerveja!

Mas donde provém este ódio ao judeu?
A Alemanha não quer, decerto, começar de novo a vingar o sangue precioso de Jesus.
Há já tanto tempo que essas coisas dolorosas se passaram!... A humanidade cristã está velha e, portanto, indulgente: em dezoito séculos esquece a afronta mais funda.

E infelizmente hoje já ninguém, ao ler os episódios da Paixão, arranca furiosamente da espada, como Clóvis, gritando, com a face em pranto: – Ah, infames! Não estar eu lá com os meus Francos!
Além disso, este movimento é organizado pela burguesia, e as classes conservadoras da Alemanha são muito jurídicas para não aprovarem, no segredo do seu pensamento, o suplício de Jesus.
Dada uma sociedade antiga e próspera, com a sua religião oficial, a sua moral oficial, a sua literatura oficial, o seu sacerdócio, o seu regime de propriedade, a sua aristocracia e o seu comercio que se há-de fazer a um inspirado, a um revolucionário, que aparece seguido de uma plebe tumultuosa, pregando a destruição dessas instituições consagradas à fundação de uma nova ordem social sobre a ruína delas e, segundo a expressão legal, «excitando o ódio dos cidadãos contra o Governo»?
Evidentemente puni-lo. Pede-o a lei, a ordem, a razão de Estado, a salvação pública e os interesses conservadores.
É justamente o que a Alemanha, com muita razão, faz aos seus socialistas, a Karl Marx e a Bebei.
Ora, estes maus homens não querem fazer na Alemanha contemporânea uma revolução, decerto, mais radical que a que Jesus empreendeu no mundo semítico.
É verdade que o Nazareno era um Deus: para nós, certamente, humanidade privilegiada, que o soubemos amar e compreender mas em Jerusalém, para o doutor do Templo, para a escriba da lei, para o mercador do bairro de David, para o proprietário das searas que ondulavam até Belém, para o centurião severo encarregado da ordem Jesus era apenas um insurrecto.
E se Bismarck estivesse de toga, no Pretório, sobre a cadeira curul de Caifás, teria assinado a sentença fatal tão serenamente como o dito Caifás, certo que nesse momento salvava a sua pátria da anarquia.
Os conservadores de Jerusalém foram lógicos e legais, como são hoje os de Berlim, de Sampetersburgo ou de Viena: no mundo antigo, como agora, havia os mesmos interesses santos a guardar.

Que diabo!, é indispensável que a sociedade se conserve nas suas largas bases tradicionais: e outrora, como hoje, a salvação da ordem e a justificação dos suplícios.
É possível que este gozo que nós hoje, conservadores, temos de triturar os messias socialistas, encarcerar os Proudhon, mandar para a Sibéria os Bakunine e crivar de multas os Félix Pyat venha a custar caro a nosso netos.
Com o andar dos tempos, todo o grande reformador social se transforma pouco a pouco em Deus: Zoroastro, Confúcio, Maomet, Jesus, são exemplos recentes!
As formas superiores do pensamento tem uma tendência fatal a tornar-se na futura lei revelada: e toda a filosofia termina, nos seus velhos dias, por ser religião.
Augusto Comte já tem altares em Londres; já se lhe reza.
E assim como hoje exigimos capelas aos santos padres, aos que foram os autores divinos, os nobres criadores do catolicismo, talvez um dia, quando o socialismo for religião do Estado, se vejam em nichos de templo, com uma lamparina de frente, as imagens dos santos padres da revolução: Proudhon de óculos. Bakunine parecendo um urso sob as suas peles russas, Karl Marx apoiado ao cajado simbólico do pastor de almas tristes.
Como a civilização caminha para o oeste, isto passar-se-á aí para o século XXVIII, na Nova Zelândia ou na Nova Austrália, quando nós, por nosso turno, formos as velhas raças do Oriente, as nossas línguas idiomas mortos, e Paris e Londres montões de colunas truncadas como hoje Palmira e Babilónia, que o zelandês e o australiano virão visitar, em balão, com bilhete de ida e volta... Logicamente, então, como são detestados hoje na Alemanha os herdeiros dos que mataram Jesus – só haverá repulsão e ódio pelos descendentes de nós outros que estamos encarcerando Bakunine, ou multando Pyat.
E como toda a religião tem um período de furor e extermínio, esses pobres netos nossos serão perseguidos, passarão ao estado de raça maldita e morrerão nos suplícios... C’est raide!
Mas voltemos à Alemanha. Ainda que o Pedro Eremita desta nova cruzada constitucional seja um sacerdote, o reverendo Streker, capelão e pregador da corte, é evidente que ela não tira a sua força da paixão religiosa.
As cinco chagas de Jesus nada têm que ver com estas petições que por toda a parte se assinam, pedindo ao Governo que não permita aos judeus adquirirem propriedades, que não sejam admitidos aos cargos públicos, e outras extravagâncias góticas!
O motivo do furor anti-semítico é simplesmente a crescente prosperidade da colónia judaica, colónia relativamente pequena, apenas composta de quatrocentos mil judeus; mas que pela sua actividade, a sua pertinácia, a sua disciplina, está fazendo uma concorrência triunfante à burguesia alemã. Tudo isto, no entanto, é a luta pela existência.
O judeu é o mais forte, o judeu triunfa.
O dever do alemão seria exercer o músculo, aguçar o intelecto, esforçar-se, puxar-se para a frente para ser, por seu turno, o mais forte.
Não o faz: em lugar disso, volta-se miseravelmente, covardemente, para o Governo e peticiona, em grandes rolos de papel, que seja expulso o judeu dos direitos civis, porque o judeu é rico, e porque o judeu é forte.
O Governo, esse, esfrega as mãos, radiante.
Os jornais ingleses não compreendem a atitude do senhor de Bismarck aprovando tacitamente o movimento antijudaico.
É fácil de perceber; é um rasgo de génio do chanceler.
Ou, pelo menos, uma prova de que lê com proveito a história da Alemanha.
Na Meia Idade, todas as vezes que o excesso dos males públicos, a peste ou a fome desesperava as populações; todas as vezes que o homem escravizado, esmagado e explorado mostrava sinais de revolta, a Igreja e o príncipe apressavam-se a dizer-lhe: «Bem vemos, tu sofres!
Mas a culpa é tua. É que o judeu matou Nosso Senhor e tu ainda não castigaste suficientemente o judeu.
A populaça então atirava-se aos judeus: degolava, assava, esquartejava, fazia-se uma grande orgia de suplícios; depois, saciada, a turba reentrava na treva da sua miséria a esperar a recompensa do Senhor.
Isto nunca falhava.
Sempre que a Igreja, que a feudalidade, se sentia ameaçada por uma plebe desesperada de canga dolorosa – desviava o golpe de si e dirigia-o contra o judeu. Quando a besta popular mostrava sede de sangue –servia-se à canalha sangue israelita.
É justamente o que faz, em proporções civilizadas, o senhor de Bismarck.
A Alemanha sofre e murmura: a prolongada crise comercial, as más colheitas, o excesso de impostos, o pesado serviço militar, a decadência industrial, tudo isto traz a classe média irritada.
O povo, que sofre mais, tem ao menos a esperança socialista; mas os conservadores começam a ver que os seus males vêm dos seus ídolos. Para o calmar e ocupar, o que mais serviria ao chanceler seria uma guerra, mas nem sempre se pode inventar uma guerra, e começa a ser grave encontrar em campo a França separada, mais forte que nunca, com os seus dois milhões de bons soldados, a sua fabulosa riqueza, riqueza inconcebível, que, como dizia há dias a Saturday Review, é um fenómeno inquietador e difícil de explicar.
Portanto, à falta de uma guerra, o príncipe de Bismarck distrai a atenção do alemão esfomeado – apontando-lhe para o judeu enriquecido.
Não alude naturalmente à morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mas fala nos milhões do judeu e no poder da sinagoga.
E assim se explica a estranha e desastrosa declaração do Governo.”

28 de Outubro de 2009

Anti-semitismo

O Partido Conservador Britânico integra, no Parlamento Europeu, o Grupo “Conservadores e Reformistas Europeus", encabeçado M.Kaminski, notório anti-semita polaco, ligado a grupos católicos extremistas.

Também presente no Parlamento Europeu estáNick Griffin, líder do Partido Nacional Britânico, conhecido, entre outras facécias, por negar que o Holocausto tenha existido, e pelas teorias da conspiração sobre grupos secretos de judeus que controlariam a comunicação social inglesa.

Ainda na Grã-Bretanha, as centrais sindicais, controladas pelo Partido Trabalhista, andam numa roda viva a promover boicotes contra Israel embora,paradoxalmente, nem por um momento lhes passe pela cabeça pedir boicotes a países árabes onde a repressão é brutal e os direitos dos trabalhadores primam pela ausência (e que são quase todos).

No Parlamento Europeu está também o nosso Bloco de Esquerda, representado pelo Dr Miguel Portas, conhecido pela virulência das suas posições anti-semitas e pela subserviência peganhosa a ícones do terrorismo islâmico, como o Hezbolah o Hamas.

Aqui ao lado, em Espanha, um ministro qualquer proibiu a presença de uma universidade judaica num evento sobre energias alternativas, alegandoinexistentes “ directivas da EU”, ao mesmo tempo que o Ministro dos Estrangeiros se passeia de braço dado com Chavez, Kadaffis, Castros, e outros grandes amigos da liberdade.

De um modo geral, à esquerda e à direita, os políticos europeus encaram com normalidade e complacência os apelos semanais da hierarquia iraniana, à destruição de Israel, e a repetição continua e descarada, pelos aiatolas, das mais espatafúrdias teses do Mein Kampf.. A mesma complacência que, de resto, demonstram perante os explícitos apelos o ódio contra os judeus que todos os dias são ecoados na cada vez mais numerosa rede de mesquitas financiadas pela Arábia Saudita, por toda a Europa.

O facto de o Hamas, cuja carta “ constitucional” contém o imperativo de destruir os judeus e Israel, ter lançado uma chuva de mísseis sobre Israel, é considerado “ normal” e não justificativo de uso da força por parte de Israel, cuja reacção é invariavelmente classificada de “ desproporcionada” e “criminosa”.

Aliás pelas mesmíssimas pessoas que fazem por ignorar que a resposta britânica a algumas cenenas de V1 e V2 lançadas sobre Londres em 1944, foi a destruição quase completa de Hamburgo e Dresden, etc.

Estes factos mostram que a profecia de Hitler “Passarão os séculos, mas nas ruínas das nossas cidades e monumentos, renovar-se-á o ódio contra aqueles que são os verdadeiros responsáveis por isto: o judaísmo internacional!”, se está a cumprir.

Há um novo anti-semitismo em movimento, que tem já deputados em todo o espectro ideológico e que elabora libelos e narrativas conspiratórias sobre a malignidade do famoso “lobi judaico”, um conjunto secreto de secretas pessoas que se reúnem secretamente em secretos lugares a secretas horas, para secretamente manobrar fios secretos, responsáveis por todos os males que nos afligem.

Este anti-semitismo não é claro e assumido como o nazi ou o dos czares, nem escorregadio e cínico, como o protagonizado pelo comunismo soviético, mas está a crescer e é cada vez mais poderoso, não só porque tem o antigo apelo à demonização do judeu, mas porque conta com o apoio, empenhado e em metálico, de numerosos estados a nadar em petrodólares.

Este anti-semitismo disfarça-se de “anti-sionismo” e “apoio à causa palestiniana” e, montado nestas falácias, é já hoje parte integrante da politica europeia, tem voz no Parlamento e traduz-se em milhões de euros anualmente concedidos a grupos de activistas que apenas têm Israel no radar.

14 de Outubro de 2009

Teaching moments

Hillary Clinton foi a Moscovo ouvir o já habitual "nyet", à hipótese de a Rússia apoiar fortes e rápidas sanções contra o Irão, se a presente ronda de negociações não der em nada.

A Administração americana, animada das boas intenções que caracterizam os ingénuos e idealistas, acreditou que bastava fazer "reset", arvorar sorrisos e prodigalizar cedências, para que os seus inimigos figadais desatassem aos beijos.
Este tipo de gente nunca aprende, e tende sempre a acreditar que o facto de os outros não gostarem deles, é culpa do comportamento próprio, ou seja, os titulares da actual administração meteram na cabeça que o anti-americanismo é culpa da América, do Bush, enfim.

É o complexo de culpa à escala internacional, esta ideia peregrina e perigosa de que os outros não têm vontade própria e que apenas reagem a nós, pelo que se formos bons rapazes, se não lhe causarmos desagrado, então eles serão nossos amigos, seremos felizes e teremos muitos fllhos.
A velha, mas sempre repetida palermice do apaziguamento.

Obama cedeu em toda a linha face à pressão russa, no caso do sistema anti-míssil. Não hesitou em perder a confiança e a amizade dos amigos, para satisfazer um inimigo.
Meteu na cabeça que bastava fazer isso, para que os russos se apaixonassem e se apressassem a retribuir o gesto.

Acaba de viver mais um "teaching moment", ao ouvir o "nyet" russo.

Irá acontecer o mesmo com os problemas no Afeganistão, no Médio Oriente, na América Latina, etc, até perceber aquilo que já se sabe há muito: a cedência , a traição aos amigos, a cobardia perante os inimigos, nunca amolecem aqueles que se nos opõem.
Pelo contrário, tornam-nos ainda mais exigentes, pela certeza de terem pela frente gente fraca e naive.

12 de Outubro de 2009

O Senhor do Mundo

Há 100 anos Robert Benson escreveu um livro que necessita urgentemente de ser lido e relido: O Senhor do Mundo

A personagem central de "O Senhor do Mundo" é um senador americano, de seu nome Felsenburgh, dotado de extraordinários dotes oratórios, um messias que sobe na adoração das massas cretinizadas, pelas promessas de paz mundial.

Felsenburgh anuncia a fraternidade universal e as massas rendem-se. Muitos choram de comoção, os rostos viram-se em adoração para o senador, como se na sua figura se concentrassem as esperanças do mundo.

Benson compara a adoração por Felsenburgh com a adoração a Jesus.

Um Messias, portanto!

Mas melhor, porque enquanto Jesus veio trazer a espada, Felsenburgh vem trazer a paz, enquanto Jesus é uma entidade que não aparece, Felsenburgh aparece aos olhos da multidão imbecilizada como um Deus real, um Salvador do Mundo de carne e osso, mas simultaneamente divino, a quem se atribuem prodígios.

O frenesim adorador das massas leva rapidamente à entronização de Felsenburgh como Senhor do Mundo.

E o Senhor do Mundo age.

No 1º ano decreta a paz..

No 2º ano decreta o fim da crise económica.

No 3º ano decreta inovações tecnológicas que colocam a Natureza ao serviço do homem.

No 4º ano soluciona o "problema religioso", decretando o fim de uma certa religião grotesca (cristianismo) que não aceita a sua divinização. Os seguidores desta religião obsoleta são pintados como perigosos delinquentes, pelo que o seu extermínio é vista como um bem público pela massa idiotizada, que o apoia com orgiástico entusiasmo.

Parece um "dejá vu", não parece?

E é.

Obama acaba justamente de ser entronizado como "Príncipe da Paz" por um grupo de idiotas e foi eleito para a Presidência dos EUA, apenas pela oratória esférica.

As suas características e as reacções imbecilizadas das massas são arrepiantemente iguais às descritas por Benson, há 100 anos.

Não falta sequer a caracterização que Benson faz da sua distopia, como um mundo "socialista" e "humanista".

Como acaba o livro?

Não digo...está disponível...leiam!

11 de Outubro de 2009

Nobel da Paz

Espero sinceramente que Obama não mereça o Prémio Nobel da Paz, que um grupo de parlamentares esquerdistas noruegueses lhe ofereceu.

O ridículo mata, e mata de várias formas...provavelmente acabará também por matar o prestígio do próprio Prémio, numa altura em que a oposição norueguesa já pede a cabeça do idiota útil que preside ao Comité.

Obama foi premiado pelas mesmas razões que levaram à sua eleição: uma retórica redonda, por vezes naive, prenhe dos lugares comuns típicos do linguarejar politicamente correcto. Um cocktail de palavreado desejante, que está para a oratória como a música pimba está para a música, e que tem a fantástica característica de hipnotizar as mentes débeis , dadas ao culto do sagrado e da personalidade milagrosa.

Como toda a gente reconhece, Obama nada fez...limitou-se a dizer que tinha intenção de fazer coisas "progressistas" e pias obras. Falou da paz com a mesma candura com que uma candidata a Miss, declama o protocolar anseio pela "paz mundial".
Atribuir-lhe um prémio por tão primários floreados, é exactamente como atribuir o Nobel da Medicina a um investigador que se proponha descobrir a cura para o cancro, ou o Nobel da Física a um físico que publicite como como objectivo, a descoberta da Teoria da Grande Unificação.

Os esquerdistas pacóvios que atribuiram este prémio, são exactamente os mesmos que atribuíram o mesmo prémio ao inefável Al Gore e ao inacreditável Dhimmy Carter.
E se existissem na altura, teriam certamente atribuido o prémio a Chamberlain, também um comovido "amante da paz" , e que, por isso mesmo, conduziu directamente à mais destruidora guerra de sempre.

É por isso que espero que Obama não mereça este prémio. Se o vier a merecer, terá feito tantas asneiras como os cromos que acabo de referir.

7 de Outubro de 2009

O General e o Presidente.

De um lado um general de Forças Especiais, escolhido a dedo pela sua competência profissional, provada em vários campos de batalha em vários continentes.

Do outro um activista comunitário com boa pose oratória, eleito Presidente pela boa leitura de discursos e pelo toque rectal nos complexos de culpa que, ao longo dos anos, a mentalidade esquerdista foi instilando na população norte-americana.

O general quer para ganhar uma guerra, o outro quer evitar polémicas políticas que desagradem à sua mais radical base de apoio.


O general Stanley McChrystal pede os meios para cumprir a missão que lhe incumbiram, o Presidente Obama irrita-se por o general lhe pedir esses meios.


O mesmo Obama que, na retórica naive que o caracteriza, garantia, na campanha eleitoral, que ouviria os comandantes no terreno.

Bem, McChrystal é o comandante no terreno, no Afeganistão, anda há meses a exigir os meios, e tanto quanto se sabe, Obama só o ouviu na semana passada.

Até ao momento, sem resultados.
McChrystal está numa situação impossível, que é a de todos os chefes militares a quem alguém encarrega de fazer uma boa omelete, sem que se lhes forneça um único ovo.
Em Goa, Damão, Dio, Dadrá e Nagar Aveli, o General Vassalo e Silva, viu-se em idênticas circunstâncias... sem meios para cumprir a missão, e sem ordem para a largar.
O que se passa com Obama é claro como a água.
Tem de sair do mundo imaginário em que vive, e no qual se podem sempre fazer opções fáceis entre o feio e o bonito, o mau e o bom, o branco e o preto.
No mundo real, que é o da política, algumas decisões não são tão fáceis de tomar.
É por isso que, enquanto soldados morrem em batalhas, ele hesita entre tomar a decisão "bushista" de fazer um "surge" no Afeganistão, que de resto condenou veementemente no caso do Iraque , perdendo desse modo o apoio da base esquerdista/derrotista, que o levou ao colo, ou recusar a estratégia de McCrhystal, ganhando aplausos imediatos dos patetas alegres, mas assumindo a curto prazo uma retirada que será vista como uma derrota militar, com consequências devastadoras para a imagem do poder americano e para a existência da NATO.
Já para não falar do dramático aumento da força da jihad global, tornada um poder imbatível aos olhos de milhões de muçulmanos.