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1 de Março de 2012

O silêncio da esquerda

Lembro-me muito bem das manifestações, dos artigos, das indignações, das petições, das opiniões, e, em suma, de toda a parafernália mediática que a esquerda europeia , incluindo a portuguesa, desencadeou a propósito da operação israelita em Gaza, em resposta a milhares de granadas e foguetes lançados sobre povoações israelitas.
Era uma "resposta desproporcionada", um "massacre", uma "chacina deliberada", inqualificáveis "crimes de guerra", etc,etc.
Nenhum caramelo dito "de esquerda", deixou de ser ouvido pela comunicação social, amplificando vociferações indignadas e exigindo em altos berros o "cessar fogo" e a "intervenção da comunidade internacional" face à "campanha criminiosa dos sionistas".

Nessa operação as forças de defesa israelitas liquidaram cerca de 700 combatentes confirmados do Hamas e entre 200 e 700 "civis", sendo que os "civis" são aqui uma categoria algo fluida, dado que o Hamas utilizou deliberadamente os "civis" como arma de defesa e ataque, incluindo o uso de um Hospital como QG, ambulâncias para transporte de tropas , e uso intensivo de combatentes com roupas civis.

Veja-se agora o caso da Síria.
Na supressão da revolta contra o Presidente Bashar já terão sido abatidas mais de 7000 pessoas, as notícias dão conta do uso livre de todos os meios contra os revoltosos, estejam eles onde estiverem, com civis ou sem civis.

Se a esquerda de que falamos fosse sincera na sua reclamação como defensora dos direitos humanos, manifestar-se-ia mais, berraria mais, indignar-se-ia mais, escreveria mais, exigiria mais.

Mas, uma vez que não faz nada disso, só há uma conclusão a tirar:

A causa dos sírios não é "fashion", ao passo que a dos "palestinianos" é.

A razão? É que para esta esquerda só são "fashion" as "causas" onde é possível apontar o dedo, ou aos americanos ou a Israel.
Esta esquerda é como aquele bêbado que procura a chave do carro junto a um candeeiro, não porque a tenha perdido ali, mas porque é ali que há luz.

28 de Fevereiro de 2012

Sharia na América

Ernest Perce é um ateu americano.
No dia de Haloween, junto com outros foliões, vestiu-se de "Zombie Maomé". Outros foliões estavam vestidos de "Zombie Papa", etc
Talaag Elbayomy, um muçulmano, ao ver passar os foliões, entrou no modo de jihad, carregou sobre Perce e deu-lhe uma sova.
Na verdade, Talaag agiu de acordo com a sharia. Não se pode fazer humor com o Profeta ou com a religião islâmica.
E tudo seria normal se o episódio tivesse acontecido num país muçulmano nos quais, de facto, a atitude de Perce é considerada crime.
Mas foi na América. A polícia interveio e o caso foi parar a tribunal, como crime de agressão. Tudo parecia encaminhado para uma normal punição do agressor.
Mas então entrou em cena o juiz Mark Martin.
E o que se passou foi surreal.
O juiz, de Corão na mão, admoestou severamente Perce porque, por aquilo que fez "em sociedades muçulmanas, seria crime passível de pena de morte"
Embasbacado, Perce ouviu o juiz dizer-lhe que "tendo tido a oportunidade de passar 2, 5 anos em países predominantemente muçulmanos, conheço razoavelmente bem a fé islâmica...em muitos países de língua árabe, algo como isto é completamente ilegal. Pode ser, e frequentemente é, punido com apena de morte".
E prosseguiu, imparável: "O que você fez foi esmagar completamente a sua essência, o seu ser. Ele achou isso muito, muito ofensivo. Eu achei isso ofensivo. Você ultrapassou os limites dos direitos garantidos pela 1ª Emenda"

E mandou arquivar o caso, recusando-se a ver o vídeo com a agressão e ignorando a participação policial.
Uau!

Não sei como irá evoluir este caso, há quem diga que o juiz é muçulmano, ele mesmo fez declarações que parecem indicar isso, embora posteriormente as tenha negado.

Mas o que importa aqui relevar é que o juiz aplicou descaradamente a sharia em vez da lei americana.
Em 1º lugar, recusou ver as provas e entre as declarações do muçulmano e do infiel, deu naturalmente mais valor às do muçulmano, que disse que tinha de fazer qualquer coisa mas que não teve contacto físico com Perce (é mentira, o vídeo desmente-o). É o que manda a sharia.

Em 2º lugar, inverteu imediatamente os papéis. O agressor (muçulmano) passou a vítima e a vítima passou a agressor.

Em 3º lugar, deu uma lição de lei islâmica ao agredido, explicando-lhe que, na sua opinião, na América também é crime "ofender o Islão", como acontece nos países muçulmanos. E basicamente recordou-lhe o seu estatuto de "dhimmi", isto é, se quiser ser "protegido", se quiser evitar ser vítima da violência dos muçulmanos, tem de agir de acordo com as suas regras, ou seja, de acordo com a sharia.
Em suma, deu implícita autorização a todos os muçulmanos na América, para atacarem todos aqueles que, nas suas opiniões, ofendam o profeta.

Em 4º lugar, explicou com toda a clareza que a fé islâmica não é apenas uma religião como as outras, mas algo mais, uma essência, uma cosmovisão.

Por último, afirmou aquilo que é o cerne de sharia: que se trata de uma lei superior até à Constituição americana, já que até a famosa 1ª Emenda, deve ceder perante ela.


Este caso é emblemático e ocorre na mesma altura em que Barack Obama, numa vertigem de desculpas, garantiu publicamente que os soldados americanos que queimaram lixo vário, entre o qual exemplares do Corão, serão responsabilizados.
Responsabilizados? Desde quando é crime no sistema penal americano, queimar um livro? Vai o Presidente americano aplicar a sharia aos seus militares?

26 de Fevereiro de 2012

Quanto mais um tipo se baixa...

Numa base americana no Afeganistão, num dia de barrela, queimou-se lixo, papelada, etc.
Entre o lixo (e, na minha modesta opinião, no lugar adequado), estavam vários exemplares do Corão.
Para os muçulmanos, trata-se de um objecto sagrado. Literalmente!
Não apenas o conteúdo mas o próprio fólio. Aquela gente pode não produzir nada de útil, mas produz milhares de páginas de regras para manusear o próprio livro.
Tudo bem, cada maluco com a sua maluqueira.
Acontece que uns empregados afegãos ao verem que o seu lixo sagrado também estava a arder, fizeram o habitual escarcéu.
O que se seguiu vem nas notícias. Multidões de loucos de deus nas ruas, a berrar desalmadamente, mortinhos por desancar ou matar o primeiro infiel que lhe apareça à frente.
Como se os outros tivessem de se regular pelas suas regras, como se a a sua maluqueira corânica tivesse de ser seguida por quem se está nas tintas para o Islão.
Não lhes basta seguir as regras sobre o Corão, exigem à viva força que os outros se verguem também a elas.

Barack Obama e um séquito de respeitadores do Corão, vieram imediatamente a público, com estrepitosos e consecutivos pedidos de desculpas.
Com uma ressonância e rapidez que ainda não se viu, por exemplo, a respeito dos milhares de fiéis de outras religiões que estão neste preciso momento a ser mortos e perseguidos um pouco por todo o mundo islâmico.

Como é óbvio, quanto mais desculpas pedem, mais galvanizados ficam os doidos de deus. A cada pedido de desculpas segue-se mais uma revoada de patifarias indignadas.

Obama e a sua entourage são da escola do appeasement, numa gesta heróica que vem de Chamberlain e Daladier.
A história nada lhes ensinou. Nomeadamente que quanto mais um gajo se baixa, mais se lhe vê o cu.

25 de Fevereiro de 2012

O cientista que queria destruir os sionistas

A srª Bolouri Kashani, é a viuva de Mustafá Ahmadi Roshan.

O sr Mustafá já não existe.
Mas quando existia, era cientista nuclear e trabalhava no projecto nuclear "para fins pacíficos", iraniano. Começou a faltar ao trabalho no dia (11 de Janeiro de 2012) em que involuntariamente se apresentou a Alá, movido pelos gases expansivos de uma explosão.
Segundo os responsáveis iranianos, os que lhe passaram o bilhete paro o além, foram judeus e americanos.
Se bem que estes dois povos, e particularmente os seus serviços de informações (Mossad e CIA) sejam usualmente considerados culpados de quase tudo o que acontece no mundo e arredores, neste caso específico é provável que os aiatolas tenham razão.
O Sr Mustafá foi considerado shahid (mártir) e, segundo a contabilidade islâmica, estará neste momento a jogar à bisca com o Profeta e a ser gasalhado com 7 dezenas de huris, lá no paraíso islâmico.
A enlutada Srª Bolouri, ficou compreensivelmente despeitada, até porque não consta que as mulheres islâmicas tenham os mesmos direitos lá no além, isto é, não é provável que à espera de cada uma delas estejam 70 bigodudos talibans.
Em entrevista recente, pôs a boca no trombone e veio a público dizer que o respeitável Mustafá estava a trabalhar no pacífico programa nuclear iraniano, com o "objectivo final de eliminar Israel" (palavras da senhora).

Ora isto é mais uma prova (a somar aos sucessivos relatórios da AIEA) de que o programa nuclear iraniano é do mais pacífico que existe e vem dar razão aqueles que condenam os israelitas por estarem tão preocupados com ele.

14 de Fevereiro de 2012

Se bem percebi

Ontem, por mero acaso, sintonizei a RTP-1 e aterrei num debate (Prós e Contras), sobre energia e factura eléctrica.
De lado esquerdo do telespectador ( não consigo escrever "espetador", parece que me estou a referir a alguém ou a alguma coisa que serve para espetar), Mira Amaral, Patrick Monteiro de Barros e Clemente Pedro Nunes.
Do lado direito, três aves de rapina: Carlos Pimenta, com interesses nas eólicas, Nuno Ribeiro da Silva, da Endesa Portugal, e um ex-governante, da área do PS, cujo nome não fixei mas que ele mesmo se reivindicou como "autor intelectual" da estratégia das renováveis.

Entre muito jargão técnico, raivas e esquivas, justificações e acusações, da discussão fez-se alguma luz na cabeça deste vosso ignorante escriba.

O que eu entendi foi, o mais sucintamente possível:

Os do meu lado esquerdo contestavam a onerosa estratégia das eólicas e as rendas pagas pelos consumidores ( cerca de metade da factura) ao negócio das aves de rapina à minha direita.
Como explicou o Prof Clemente, do IST, as éolicas são intermitentes. Como tal, não podem estar sózinhas, já que não se sabe quando param, são umas cabeças de vento. Assim, por cada MW de potência instalada nas éolicas é necessário:
1-Instalar 1 MW de potência fiável (central térmica)
2- Construir barragens e estações de bombagem para, de algum modo, armazenar a energia que em certos períodos não é consumida.

Ora isto implica duas coisas desagradáveis: a 1ª é que o MW sai ao triplo do preço; a 2ª é que as centrais térmicas funcionam num liga/desliga que as torna insustentáveis, obrigando o consumidor a pagar o prejuizo. Não percebo nada de centrais térmicas mas, pela explicação, percebi que são como os carros, isto é, gastam muito mais no pára-arranca, do que em velocidade de cruzeiro.
Mas como têm de existir e a funcionar assim dão prejuizo, o Estado (o consumidor) paga-lhe principescamente esse prejuizo, fazendo com que na factura de cada português figurem mais umas taxas com nomes estranhos que o normal cidadão não têm a mínima ideia do que sejam.

Ora então os especialistas à minha esquerda achavam que isto era uma idiotice, era uma idiotice cara e era/é, necessário acabar ou, no mínimo, reduzir, as rendas que o Estado (o consumidor, eu e vocẽ) paga às eólicas e às centrais do pára-arranca.

Os beneficiados pela brilhante estratégia, à minha direita, eram da opinião que não. Falavam de várias coisas, do fabrico de ventoínhas, da exportação de ventoínhas, dos empregos nas fábricas de ventoínhas, na poupança em petróleo (se bem que eu não conheça nenhuma central térmica que queime petróleo, deve existir algures, tal a vivacidade com que o Carlos Pimenta referia este argumento) e, sobretudo, alto lá que isto agora é sério, de "DIREITOS ADQUIRIDOS".
Exactamente!
As rendas que o consumidor paga na factura elécrica para sustentar uma estratégia modernaça mas ruinosa, são para os bem instalados, "direitos adquiridos".

É disto que trata afinal o debate sobre a energia: Direitos adquiridos!
O que nos separa de decisões racionais e que contribuam para uma economia mais competitiva, são os "direitos adquiridos" de empresas e indivíduos que se instalaram num negócio artificial que só é lucrativo enquanto os portugueses forem, por decreto, obrigados a pagar os prejuizos.

Isto não é um país de doidos?

1 de Fevereiro de 2012

O "direito" aos transportes baratos.

A avaliar pelos telejornais, em Lisboa anda tudo ao peido e coice pelo corte dos "direitos" nos transportes.

Os populares cujas entrevistas são escolhidas para passarem, manifestam, sem excepção, a mais forte indignação pelo facto de terem de pagar mais pelos transportes públicos e é notório que acreditam que ser transportado de um lado para o outro é um direito que o Estado deve garantir.

Tem sido, de facto, para alguns. Para os privilegiados que vivem nas cidades de Lisboa, Porto e uma ou outra mais.

Tem ao seu dispôr metro, eléctrico, autocarro, comboio, navios, etc, tudo por tuta e meia.

Tuta e meia que não paga o serviço que usufruem. A estratosférica dívida de 17 mil milhões de euros, três vezes superior às tropelias do Rei da Madeira, é paga pelos outros. Por aqueles que, como eu e como milhões de outros portugueses, não tem "direito" a transportes públicos e passes a preço de uva mijona.

Ora, pergunto eu, porque carga de água é que hei-de ajudar, com os meus impostos, a pagar o passe do Sr Silva, que vive na Rua Almirante Reis?
Tenho metro à porta, eu?
Tenho autocarro?
Tenho eléctrico?
Tenho comboio?

Não. Quando me desloco vou pelos meus meios e pago, sem passes e sem descontos.

Por isso, caros compatriotas de Lisboa e do Porto, rezem uma Avé Maria de agradecimento por terem acesso a equipamentos que milhões de outros portugueses só vêem por um canudo, e paguem por eles.
Se não querem pagar, vão a pé, de bicicleta, no vosso carro, como vos aprouver e, por favor, não me peçam a mim para pagar o vosso conforto.

31 de Janeiro de 2012

Canadá e multiculturalismo

O Canadá tem uma lei multiculturalista.
É, por muitos, considerada uma lei racista, porque confina os individuos ao seu grupo cultural, tornando-os reféns das suas normas culturais, e desencorajando-os de se assumirem como indivíduos.

Esta semana, um tribunal canadiano considerou culpados de homicídio, um homem, uma mulher e um filho de ambos, pela morte de 3 filhas e uma segunda mulher do homem.

Eram todos muçulmanos e tratou-se de um "crime de honra".

As raparigas mortas recusavam usar hijab e tinham amigos rapazes.
A mulher era a 1ª mulher do pai das raparigas e era estéril.

No contexto cultural islâmico isto é inaceitável.

É este o resultado trágico do multiculturaismo. O considerar-se que todas as práticas culturais são válidas apenas porque existem num determinado grupo humano, conduz a este tipo de efeitos perversos.

Oxalá este caso, mais "badalado" que muitos outros que se sucedem a ritmo crescente nas nossas sociedades, faça tinir algumas campainhas de alarme nas cabeças daqueles que, embalados na melopeia multiculturalista, não entendem os seus efeitos dramáticos nas sociedades que a adoptam.

E, sobretudo, na forma como condenam pessoas a viverem como não desejam, por "respeito" exagerado para com práticas retrógradas.

De uma vez por todas, que se perceba que nem todas as culturas são iguais.

Os jurados procederam bem.
Não aceitaram o contexto multicultural e aplicaram ao crime os valores da nossa cultura.
Homicidio, ponto final.
E especialmente odioso, porque só uma cultura doentia leva pais a matarem os seus próprios filhos em nome de uma religião.

22 de Janeiro de 2012

Ron Paul e Newt Gingritch

O blogue Insurgente, que sigo com interesse e que reflecte muitas das minhas próprias ideias sobre o mundo, parece fixado numa adoração embevecida pelo candidato Ron Paul.
Custa-me a entender, porque algumas das suas ideias estão nas antípodas do pensamento conservador, outras roçam perigosamente o antissemitismo que é hoje uma bandeira da esquerda radical e dos fascistas islâmicos e, cereja no topo do bolo, foi, até agora, o ÚNICO dos contendores ainda na corrida que NÃO GANHOU qualquer primária estadual mesmo com, suspeito, o voto de eleitores "liberal".

O homem até pode ser um ente moral e eticamente angelical (não sei se é), andar de caleche puxada a cavalos para não gastar o dinheiro do contribuinte, etc, mas, na minha humilde opinião, pessoas dessas, que nadam num oceano de virtudes teologais, costumam dar líderes tenebrosos.

Hitler (cá vem a Lei de Godwin) era uma jóia de pessoa, amigo do seu cão, não fumava, não fazia orgias, não apalpava as secretárias, não se embebedava, etc. Um asceta!
E então? Isso fazia dele um bom líder?
Churchill, pelo seu lado, bebia-lhe bem, fumava que nem uma chaminé, e tinha mais defeitos que os que cabem neste texto. Um devasso, em suma!

Newt Gingrich, que ganhou as mais recentes primárias, é um homem destes. E é nestes homens que se confia. São como nós, sabe-se as linhas com que se cosem e não apresentam auras que o zé pagode posse confundir com atributos divinos ( e sabe-se como o zé povinho está sempre pronto para se babar perante qualquer um que se lhe apresente enfarpelado nas vestes de líder salvador e semideus encartado).

Enfim, entre Sancho Pança, homem pragmático, de ideias realistas. montado no seu burro, sempre à procura do seu, e D Quijote, homem de nobres propósitos, indestrutíveis princípios éticos e ideais estratosféricos, é sempre preferível que seja o 1º a mandar nos assuntos deste mundo.

8 de Novembro de 2011

Roma, Germanos e Árabes

Há dias, numa tertúlia com amigos, o tema da ameaça islâmica suscitou acesa discussão. Um dos argumentos brandidos por um dos intervenientes é o de que, como aconteceu com outros invasores e outras migrações, os valores do Ocidente acabam por ser aceites e impôr-se.
E referia, a propósito, o período das invasões e migrações germânicas sobre o Império Romano que levaram, não à germanização da Romania, mas à romanização dos bárbaros.

O argumento é poderoso mas derrota-se a si mesmo, como iremos ver.

Os germanos, apesar de terem sido os maiores responsáveis pela destruição do governo imperial, não queriam substituir o Império por algo novo e, de facto, o direito, a moral, a economia, a moeda, o equilíbrio social, a língua, as artes, etc, mantiveram as referências romanas. Até a religião cristã, a religião do Império, acabou por desalojar o arianismo.

Os reis bárbaros eram geralmente vistos pelas populações como generais de mercenários, ao serviço de Roma. E mesmo quando vitoriosos, iam ao encontro dos vencidos, adquiriam os seus hábitos e os seus valores, governavam à romana, ou tentavam. As suas cortes estavam cheias de poetas e retóricos,
Recesvinto, Rei dos Visogodos, proclamou em 634 um Liber Judiciorum, completamente tributário do direito romano. Sigismundo, Rei dos Burgúndios, dizia-se um soldado do Império.
O Norte de Africa estava completamente romanizado e até os Vândalos, que ali se instalaram, aceitaram a vida tal como ela era, ao estilo romano.
A imagem que melhor descreve a situação é a de um belo solar, cujo dono está ausente, e que foi dividido interiormente em vários apartamentos. Apesar dos sinais de decadência, apesar de já não existir um único proprietário, o edifício mantém-se de pé, com a sua original traça exterior.

Isto numa altura em que os árabes começavam a sua grande jihad.
Mas com os árabes, nada disto se passou.
Em 632, quando Maomé morreu, ninguém estava preocupado com os árabes. Eram umas tribos de selvagens, para lá da Síria.
Os grandes poderes da época eram o Império Bizantino, o Império Persa e, na Europa, os reis germânicos mantinham mais ou menos viva a ideia do Império Romano.
Trinta anos depois já os árabes, galvanizados por uma nova religião, carregavam sobre o Norte de Africa, e conquistavam Creta, Chipre e Sicília. O Mediterrâneo era deles e os Impérios Persa e Bizantino batiam em retirada.

A questão que se coloca é: porque razão não foram os árabes absorvidos pelos valores de populações e regiões, muitas das quais com civilização superior, como tinha acontecido com os germanos?

A razão é, claramente, religiosa. Os germanos nada tinham a opor ao cristianismo do Império, queriam apenas poder e o brilho que o Império projectava, eram como traças atraídas por uma lâmpada, mas os árabes combatiam por uma nova fé e foi a natureza dessa fé que impossibilitou a assimilação.
Na verdade os árabes nada tinham a opor à civilização superior dos povos que conquistam, e assimilaram-na com grande rapidez, indo beber directamente ao legado helénico.
Nem sequer pretendiam converter os conquistados, apenas que eles obedecessem a Alá. Ou seja, exigiam a simples e, para eles, natural, submissão de seres inferiores, degradados, desprezíveis, e abjectos.
Onde chegaram, instalaram-se como dominadores. Os vencidos eram seus súbditos, pagavam impostos especiais (jyzia) e não faziam parte da umma, da comunidade dos crentes. Nenhuma fusão podia acontecer entre conquistados e conquistadores, nenhum esforço os vencedores faziam para agradar aos vencidos. Eram estes que tinham de ir ao encontro dos seus novos senhores e não podiam ir de outro modo que não fosse como servidores de Alá.
A fé dos vencidos não era atacada, não merecia sequer a dignidade de ser rebatida. Era simplesmente ignorada, já que um predador não argumenta com a presa. E esta era a melhor maneira de afastar o vencido do seu estado de jahiliyyah e conduzi-lo a Alá e à dignidade da comunidade dos crentes.
Tudo isto implica que onde o muçulmano se instalou como vencedor, a antiga civilização desapareceu. O germano romanizou-se ao entrar no Império. Os povos onde entrou o muçulmano, islamizaram-se, porque a rotura com o passado foi total. Uma nova língua, novos costumes, um novo direito (sharia), novos valores, instituições e, acima de tudo, uma nova religião, dominadora e intratável.
A sociedade civil desapareceu, sendo substituída por uma sociedade religiosa e totalitária.
Foi isto que aconteceu em todas as regiões onde o Islão chegou, desde a Pérsia a Marrocos. E esteve prestes a acontecer na Península Ibérica, não tivesse havido algumas circunstâncias fortuitas que impediram esse desfecho.

É por isso que o argumento daquele meu amigo é falacioso. Mas é a mesma falácia em que assenta a doutrina multiculturalista dominante no pensamento politicamente correcto ocidental. A ideia que, de algum modo, as comunidades muçulmanas são como as outras, serão assimiladas, e acabarão por se converter aos nossos valores, às nossas leis, ao nosso modo de vida.
Nada na História corrobora tal esperança, bem pelo contrário, pelo que a sua prevalência se deve apenas à profunda ignorância ocidental, relativamente aos fundamentos doutrinários do Islão.
E, como dizia Sun Tzu, quem não conhece o seu inimigo, nem se conhece a si mesmo, perderá todas as batalhas.